A chegada de um bebê transforma a rotina de toda a família. Entre novos desafios, mudanças na dinâmica da casa e a necessidade de reorganizar o cuidado, as avós exercem um papel fundamental no apoio às mães durante os primeiros anos de vida dos filhos.
É o que revela a pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência, que ouviu 1.138 mulheres, mães ou responsáveis por crianças de até 2 anos em todo o Brasil.
Costuma-se dizer que é preciso uma aldeia para criar uma criança. Os dados mostram que essa rede de apoio é fundamental, mas ainda é formada majoritariamente por mulheres.
Embora 71% das mães apontem o parceiro como principal apoio, 77% afirmam concentrar a maior parte dos cuidados com os filhos, evidenciando que o suporte recebido nem sempre se traduz em uma divisão equilibrada das responsabilidades. Quando o cuidado se estende para além do casal, ele continua recaindo principalmente sobre outras mulheres: 31% contam com a ajuda da própria mãe e 10% da sogra. Em comparação, avôs, sogros, irmãos e outros familiares aparecem com participação muito menor na rotina. Além disso, 17% das entrevistadas afirmam não contar com nenhum tipo de apoio, enfrentando sozinhas a maior parte dos cuidados.
No Dia dos Avós, é importante reconhecer o papel essencial que muitas avós desempenham na criação dos netos. Elas viabilizam o retorno das filhas ao mercado formal de trabalho, acompanham consultas, cuidam dos bebês e oferecem apoio na rotina diária, tornando a maternidade menos solitária para muitas mulheres.
Essa realidade, porém, também provoca uma reflexão: o cuidado está sendo compartilhado ou apenas transferido de uma geração de mulheres para outra?
“As avós são, muitas vezes, um porto seguro para as mães. Elas acolhem, orientam e ajudam a tornar a maternidade menos solitária. Celebrar o Dia dos Avós também é reconhecer esse trabalho de cuidado, que tantas vezes acontece de forma silenciosa e pouco valorizada.”
Segundo Mirian Rodrigues, presidente do CineMaterna, essa atuação costuma ocorrer de forma pouco reconhecida.
A chegada do bebê pode fortalecer os vínculos familiares
A pesquisa mostra que, para muitas mães, a chegada de um filho aproxima a família e fortalece a rede de apoio. Em relação à própria família (pais, mãe e irmãos), 32% das entrevistadas afirmam que o relacionamento se tornou mais próximo e colaborativo. Já com a família do(a) parceiro(a) (sogros, sogras e cunhados), esse percentual é de 23%.
Esse movimento ganha ainda mais relevância em uma fase marcada pela reorganização das relações sociais. A pesquisa mostra que 39% das mães percebem que parte dos amigos se afastou após o nascimento do bebê, 20% relatam ter pouco contato e se sentir isoladas, e 13% afirmam não manter mais contato com amigos. Apenas 28% dizem sentir-se muito acolhidas por essa rede. Diante desse cenário, a família assume um papel ainda mais importante como fonte de apoio e acolhimento nos primeiros anos da maternidade.
“Os dados mostram que a rede de apoio existe, mas ela continua sendo construída principalmente por mulheres. Quando a mãe precisa de ajuda, quem normalmente assume esse papel é outra mulher da família, especialmente a avó. Isso mostra que o trabalho do cuidado deixa de estar concentrado apenas na mãe, mas continua concentrado entre mulheres de diferentes gerações, em vez de ser efetivamente compartilhado.”
A afirmação é de Juliana Vanin, fundadora da NOZ Inteligência.
Um convite à reflexão neste Dia dos Avós
Neste Dia dos Avós, a pesquisa convida a olhar para além da homenagem. Os dados reforçam a importância das avós na criação dos netos, mas também revelam um desafio ainda presente na sociedade: quando o cuidado precisa ser compartilhado, ele continua recaindo principalmente sobre outras mulheres.
Reconhecer o papel das avós é essencial, mas construir uma rede de apoio mais equilibrada, em que o cuidado seja efetivamente compartilhado entre toda a família, continua sendo um dos grandes desafios da maternidade contemporânea.
Sobre a pesquisa
A pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume II” foi realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência e ouviu 1.138 mulheres com filhos de até 2 anos em todo o Brasil.
O estudo aborda temas como saúde emocional, rede de apoio, divisão de cuidados, trabalho, lazer, relacionamento, identidade feminina e os desafios da maternidade contemporânea.
A pesquisa completa está disponível em: https://www.nozinteligencia.com.br/cinematerna
Sobre os realizadores
CineMaterna
O CineMaterna é uma iniciativa de impacto social, sem fins lucrativos, que tem como propósito acolher mulheres no período da maternidade por meio da cultura. Seu trabalho busca promover o resgate social da puérpera, criando oportunidades para que mães com bebês retomem gradualmente sua vida fora de casa, em ambientes preparados e acolhedores. Além disso, o CineMaterna incentiva a troca de experiências entre mulheres sobre os desafios e vivências da maternidade, fortalecendo redes de apoio e pertencimento.
NOZ Inteligência
A NOZ Inteligência é uma consultoria que, desde 2015, atua de forma personalizada na produção de conteúdo qualificado para empresas, projetos e causas. Combinando conhecimentos de economia comportamental, pesquisa de mercado, planejamento estratégico, financeiro e de marketing, a NOZ gera análises estratégicas para apoiar a tomada de decisões. Além da consultoria em mercado e tendências, também realiza estudos públicos sobre temas de impacto social, com o objetivo de fomentar reflexões e promover debates construtivos.
Texto via assessoria de imprensa