Publicação propõe alternativas para exploração de terras raras no país

Livro aponta caminhos para terras raras no Brasil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou nesta semana o livro Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040. Assinada por dez engenheiros, pesquisadores e professores universitários, a publicação propõe alternativas para a exploração de terras raras no país e discute como criar uma cadeia produtiva mais rentável.

O livro foi apresentado no VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (1º), em evento organizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Ministério de Minas e Energia.

Mapeamento de reservas e cenários para 2026–2040

A obra apresenta cenários nacional e internacional e estuda cadeias industriais para a produção de elementos químicos metálicos conhecidos como “terras raras”, que têm alta condutividade térmica e elétrica. Também mapeia reservas minerais no território nacional, como as disponíveis na Amazônia, analisa mercados e projeta a exploração do recurso com cooperação e capital multilateral, do Brasil e de outros países.

Os 17 elementos químicos chamados terras raras são matéria-prima usada na fabricação de produtos de alta tecnologia e grande valor agregado — de volumosa procura mundial e importados pelo Brasil — como carros elétricos, equipamentos de defesa, smartphones e turbinas eólicas.

Decisão entre commodity e indústria de maior valor agregado

Segundo o diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes, o livro é “um documento sobre estratégias para transformar o que a gente tem de terras raras no nosso solo em uma competitividade global”. Para ele, a publicação desenha “caminhos muito bem delineados para que o Brasil em 2040 esteja no lugar que deveria estar se tivesse cuidado de terras raras há 20 anos”.

Gomes afirma que o Brasil precisa escolher se, com as terras raras, quer ser fornecedor de commodities — como ocorre com minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas e pecuários — ou formar uma indústria que fabrique componentes e equipamentos a partir da matéria-prima, exportando com mais rentabilidade.

Ele acredita que a alta disponibilidade de terras raras no subsolo brasileiro, “um quarto do que haveria em todo o planeta”, dá condições para o país autodeterminar até onde irá sua cadeia produtiva. O dirigente também defende política industrial para as terras raras, financiamento a empreendimentos e investimento em formação técnica. “Nós temos capacidade, precisamos ganhar escala”, disse.

De acordo com Gomes, a Universidade Federal de Pernambuco prepara um curso de pós-graduação em rede com outras universidades para formar mão de obra e ampliar o número de pesquisadores no setor.

Expectativa de uso do livro em debates no Senado

A expectativa do CGEE é que o conteúdo do livro seja aproveitado nos debates no Senado Federal sobre o Projeto de Lei 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República.

Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto aguarda desde maio, na Secretaria Legislativa do Senado Federal, despacho da Mesa Diretora para ser apreciado em comissão.

Minerais críticos e estratégicos, como as terras raras, estão entre as áreas prioritárias da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034. O documento prevê que o Brasil deve “desenvolver tecnologias para exploração, beneficiamento e reciclagem de minerais estratégicos, reduzindo vulnerabilidades em cadeias essenciais e promovendo sustentabilidade mineral”.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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