O governo brasileiro avalia que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos do Brasil foi politizado e inserido no contexto eleitoral, com interesse da Casa Branca no resultado da eleição presidencial brasileira de outubro de 2026. Em meio às tratativas, representantes de Brasília e Washington seguem negociando um possível acordo comercial.
Negociação busca substituir tarifas extras
Segundo o texto, o Brasil tenta convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os dois países do que a imposição de tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida foi uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Itamaraty fala em interferência externa
Na última quarta-feira (24), o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro sobre o tarifaço, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. O Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.
Alckmin critica iniciativa de Flávio Bolsonaro
Após participar de um evento sobre Mercosul-União Europeia nesta sexta-feira (26), em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, de negociar a questão das tarifas com os EUA. “Na realidade, são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito”, disse.
Prazo e cenário político nos EUA
O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas é 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro tem uma agenda de reuniões com representantes da Casa Branca e acredita ser possível, apesar de difícil, chegar a um acordo com os estadunidenses.
Ao mesmo tempo, há a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante da proximidade das eleições no Brasil. O texto afirma que, nesse contexto, a negociação não seria estritamente comercial — inclusive porque os EUA têm superávit com o Brasil —, mas inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump.
Política de segurança nacional e América Latina
A nova política de segurança nacional de Trump, publicada em dezembro de 2025, afirma que os EUA devem buscar “proeminência” na América Latina como área de influência de Washington, afastando atores de fora do Hemisfério, em um recado à China.
Nesta semana, Donald Trump compartilhou um artigo que classifica a eleição no Brasil como um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina. O texto repercutido por Trump defende que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.
Entenda a recomendação da USTR
A recomendação da USTR para taxar o Brasil decorre de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.
O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão representa tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar protecionismo comercial unilateral de Washington. O governo também questiona as tarifas adicionais com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre importações dos EUA é de 2,7%, o que, segundo o texto, não justificaria a alegação de prejuízo ao acesso de empresas norte-americanas ao mercado brasileiro.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.