Em meio à expectativa durante a Copa do Mundo de 2026, a empolgação dos torcedores promete tomar conta de estádios, bares e reuniões entre amigos. Mas, junto com a celebração, especialistas chamam atenção para um efeito menos comemorado: o impacto dos gritos excessivos na saúde vocal. Rouquidão, dor na garganta e perda temporária da voz estão entre as queixas mais comuns após períodos de uso intenso da voz, especialmente quando há gritos repetidos e prolongados durante partidas decisivas.
O Dr. Lauro Nunes de Oliveira Filho, médico otorrinolaringologista e professor da Afya Ipatinga, explica que a voz é produzida na laringe, onde estão as pregas vocais, estruturas que vibram com a passagem do ar. Quando submetidas a esforço excessivo, como gritos intensos, podem sofrer um conjunto de alterações conhecido como fonotrauma.
Esse tipo de sobrecarga mecânica pode causar irritação, inflamação da laringe e inchaço. Em alguns casos, surgem pequenas lesões, como edemas e até alterações benignas mais persistentes, como nódulos vocais
De acordo com o médico, o problema não está em um único grito isolado, mas na repetição e intensidade do esforço vocal. Quando há aumento do impacto entre as pregas vocais, o atrito constante favorece inflamações e pode evoluir para quadros mais prolongados. Ele ressalta ainda que a rouquidão costuma ser passageira, mas não deve ser ignorada quando se repete ou se prolonga.
Se o sintoma ultrapassa duas semanas ou vem acompanhado de dor intensa e dificuldade para falar, é fundamental procurar avaliação médica
O especialista também alerta que o risco de lesões vocais pode ser ainda maior em situações comuns durante jogos de futebol, como consumo de álcool, ambientes barulhentos e desidratação.
Quando a pessoa já está gripada, rouca ou desidratada, as pregas vocais ficam mais vulneráveis. O álcool contribui indiretamente porque favorece a perda de hidratação e reduz a percepção do esforço vocal
Ambientes como estádios e bares também fazem com que as pessoas elevem involuntariamente o tom de voz, aumentando ainda mais a sobrecarga.
Sinais de alerta vão além da rouquidão
Dr. Lauro também destaca que, entre os sinais de atenção, também estão falta de ar, engasgos frequentes, tosse com sangue e perda de voz sem melhora, situações que exigem investigação com exames específicos, como a videolaringoscopia.
A fonoaudióloga e docente Moniki Aguiar, docente da Afya Centro Universitário Itaperuna enfatiza que nem sempre a rouquidão é o único sinal de que algo está errado.
Cansaço ao falar, sensação de garganta seca, dor ao emitir a voz, necessidade de pigarrear com frequência e perda de alcance vocal também são sinais importantes
Segundo ela, outros indícios incluem voz mais fraca, soprosa ou até perda temporária da voz após eventos com grande esforço vocal. Quando a rouquidão ultrapassa cerca de 15 dias, a recomendação é procurar avaliação conjunta com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Voz também precisa de descanso
Um dos erros mais comuns, segundo Moniki, é acreditar que apenas profissionais da voz precisam de cuidados específicos.
Qualquer pessoa pode sofrer com abuso vocal. Em períodos de grandes eventos, há aumento significativo das queixas relacionadas à voz
Ela lembra que as pregas vocais são estruturas delicadas e que também podem sofrer lesões por sobrecarga, assim como músculos de um atleta.
Torcer é uma forma legítima de emoção, mas cuidar da voz é o que garante que ela continue saudável para muitas outras comemorações
7 maneiras de proteger a voz durante a torcida, segundo a especialista
A fonoaudióloga reforça que medidas simples podem reduzir significativamente o risco de lesões durante a Copa do Mundo:
- Manter boa hidratação antes, durante e depois dos jogos;
- Evitar competir com o barulho do ambiente gritando continuamente;
- Fazer pausas vocais sempre que possível;
- Preferir aplausos e instrumentos de torcida em vez de gritos constantes;
- Reduzir o consumo de álcool;
- Evitar fumar;
- Tentar não cochichar quando a voz estiver cansada, já que o sussurro também exige esforço das pregas vocais.
Texto via assessoria de imprensa