Dia 24 de junho: Dia Mundial de Prevenção de Quedas

Dia 24 de junho: Dia Mundial de Prevenção de Quedas

Foto: divulgação

Um simples tropeço pode representar muito mais do que um susto para uma pessoa idosa. Em poucos segundos, uma queda pode resultar em fraturas, perda da autonomia, longas internações e até mesmo levar à morte. No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, próxima quarta-feira, a geriatra e membro da ONA – Organização Nacional de Acreditação, Dra. Elisangela Chaves reforça a importância da prevenção diante de um problema que cresce na mesma velocidade do envelhecimento da população.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 684 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de quedas, tornando esse tipo de acidente a segunda principal causa de morte por lesões não intencionais no mundo, atrás apenas dos acidentes de trânsito. Além disso, aproximadamente 37,3 milhões de quedas exigem atendimento médico anualmente, gerando elevado impacto para os sistemas de saúde.

Entre a população idosa, o cenário é ainda mais preocupante. Estima-se que entre 30% e 40% das pessoas com mais de 65 anos sofram pelo menos uma queda por ano, índice que aumenta conforme o avanço da idade.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que sete em cada dez mortes acidentais de pessoas com mais de 75 anos são provocadas por quedas. Cerca de 70% desses acidentes acontecem dentro de casa, local onde muitos riscos passam despercebidos por familiares e cuidadores.

O envelhecimento populacional torna esse desafio ainda mais urgente. Segundo a OMS, até 2050 a população mundial com mais de 60 anos chegará a aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas, enquanto o número de indivíduos com 80 anos ou mais deverá triplicar, alcançando 426 milhões. A expectativa é que dois terços dessa população vivam em países de baixa e média renda.

Nesse contexto, estima-se que cerca de 30% da população brasileira terá mais de 60 anos em 2050, superando a quantidade de crianças e adolescentes até 14 anos, ou seja, o Brasil será um dos países mais envelhecidos do mundo

As quedas entre pessoas idosas também representam um importante desafio para o sistema de saúde. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS mostram que milhares de idosos são internados anualmente em decorrência de quedas, especialmente por fraturas de fêmur, punho, coluna e traumatismos cranianos. Além do sofrimento físico e emocional, esses acidentes geram elevados custos assistenciais, envolvendo atendimento de urgência, cirurgias, internações prolongadas, reabilitação e necessidade de cuidados de longo prazo.

O aumento da expectativa de vida e o crescimento acelerado da população idosa tornam a prevenção das quedas uma prioridade de saúde pública. Investir em medidas preventivas é significativamente menos oneroso do que lidar com as consequências de uma queda grave

Quedas não fazem parte do envelhecimento

Segundo a geriatra, o risco de quedas costuma ser resultado da combinação de diversos fatores como a perda progressiva de força e massa muscular denominada sarcopenia, alterações do equilíbrio, déficit visual, comprometimento cognitivo e doenças crônicas como diabetes, doença de Parkinson, artrose e sequelas de acidente vascular cerebral.

As deficiências nutricionais, especialmente a insuficiência de vitamina D, também contribuem para a fragilidade muscular e para os problemas de equilíbrio. Os medicamentos como sedativos, antidepressivos, alguns anti-hipertensivos e, sobretudo, a polifarmácia que é o uso de múltiplos medicamentos também aumentam significativamente o risco de quedas

Sinais de alerta aparecem antes da queda

Embora muitas famílias associem a queda ao acaso, em grande parte dos casos existem sinais prévios que indicam aumento do risco. Identificar esses sinais precocemente permite intervir antes que ocorra um acidente.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • dificuldade para levantar-se de cadeiras ou sofás sem apoio das mãos;
  • redução da velocidade ao caminhar;
  • tropeços frequentes;
  • sensação de desequilíbrio ou insegurança ao andar;
  • necessidade de apoiar-se em móveis ou paredes dentro de casa;
  • medo de cair, mesmo sem histórico recente de quedas;
  • tonturas ou sensação de instabilidade ao levantar-se;
  • diminuição da força muscular;
  • alterações da visão ou da audição.

Quando o idoso começa a evitar atividades por medo de cair ou demonstra dificuldade em tarefas que antes realizava com facilidade, é fundamental buscar avaliação médica. Muitas vezes, conseguimos identificar fatores modificáveis e evitar um evento que poderia comprometer toda a sua independência

Pequenas mudanças podem salvar vidas

A médica ressalta que boa parte das quedas poderia ser evitada com medidas simples de prevenção dentro de casa. Entre as principais recomendações estão:

  • manter todos os ambientes bem iluminados, especialmente durante a noite;
  • retirar tapetes soltos e eliminar desníveis do piso;
  • deixar corredores e áreas de circulação livres de móveis e objetos;
  • instalar barras de apoio em banheiros, corredores e escadas;
  • utilizar pisos antiderrapantes ou faixas de segurança em áreas molhadas;
  • secar imediatamente qualquer piso molhado;
  • usar calçados fechados com solado antiderrapante;
  • realizar atividades físicas e fisioterapia voltadas ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio;
  • fazer avaliações periódicas da visão, audição e revisão dos medicamentos utilizados.

A participação da família também é apontada como essencial para identificar riscos ambientais e incentivar hábitos que contribuam para um envelhecimento mais seguro.

Quedas em hospitais: um risco que exige atenção

As quedas durante internações hospitalares também representam um desafio para os serviços de saúde.

O ambiente hospitalar reúne diversos fatores que aumentam a vulnerabilidade do paciente, como doenças agudas, períodos prolongados no leito, uso de medicamentos, necessidade frequente de ir ao banheiro e alterações temporárias do estado mental. Por isso, a prevenção das quedas deve envolver toda a equipe assistencial

A especialista ressalta que a avaliação do risco de queda deve ser realizada logo na admissão hospitalar e reavaliada ao longo da internação, especialmente após mudanças no estado clínico ou na prescrição de medicamentos. Medidas como manter campainhas ao alcance do paciente, garantir boa iluminação, orientar familiares e disponibilizar dispositivos de apoio à mobilidade são citadas como ações que podem reduzir esses eventos.

Uma queda dentro do hospital não deve ser encarada como um evento inevitável. Grande parte desses acidentes pode ser prevenida quando existe uma cultura institucional voltada para a segurança do paciente e para o cuidado centrado na pessoa

Envelhecer não significa cair. A queda não deve ser encarada como uma consequência natural da idade, mas como um evento que, na maioria das vezes, pode ser prevenido. Com fortalecimento muscular, acompanhamento da saúde, revisão dos medicamentos e adaptações simples no ambiente, é possível preservar a autonomia, a independência e a qualidade de vida da pessoa idosa.

Projeto de Lei propõe Política Nacional de Prevenção de Quedas

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 4.376/2024, que cria a Política Nacional de Prevenção de Quedas entre Pessoas Idosas.

Entre os objetivos da proposta estão o desenvolvimento de programas de exercícios físicos voltados ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio, a identificação e redução dos riscos de quedas nas unidades de saúde, campanhas de conscientização sobre ambientes acessíveis e seguros e o atendimento integral às pessoas idosas que sofrerem quedas, com foco na reabilitação e na prevenção de novos acidentes.

O projeto ainda não foi transformado em lei e segue em tramitação no Congresso Nacional, dependendo de aprovação nas demais etapas legislativas antes de eventual sanção presidencial.

Texto via assessoria de imprensa

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