O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (17) a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi anunciada em São Luís e marca a terceira queda consecutiva dos juros.
O que muda com a Selic a 14,25%
Segundo o BC, a Selic é usada como instrumento para reduzir o ritmo da atividade econômica e tentar controlar a inflação. Quando o juro sobe ou permanece alto por muito tempo, o crédito encarece, afetando compras no cartão, parcelas de produtos e financiamentos de imóveis, o que enfraquece o consumo.
Com a redução, a perspectiva indicada é de estímulo para a economia e de menor risco de descontrole nos preços.
Conflito no Oriente Médio pesa na decisão
O Copom afirmou que a permanência de incertezas sobre os termos de um acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências de efeitos já materializados foram determinantes para o corte da taxa. De acordo com o comitê, o cenário exige cautela de países emergentes em um ambiente de maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.
Em comunicado, o Copom disse que, no cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, sem prejuízo do objetivo de assegurar a estabilidade de preços, além de buscar suavizar flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Atividade doméstica e expectativas de inflação
No ambiente doméstico, o comitê informou que os indicadores mostram aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a ter papel significativo e o mercado de trabalho ainda apresentando sinais de resiliência.
O Copom destacou que as expectativas de inflação cheia aceleraram, afastando-se da meta e superando o limite superior da banda. As projeções da pesquisa Focus para 2026 e 2027 ficaram em 5,30% e 4,10%, respectivamente.
A meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período iniciado em janeiro de 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.
Próximos passos dos juros
O comitê afirmou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em um cenário de maior incerteza.
Também informou que o tamanho total do ajuste dos juros dependerá dos próximos dados econômicos, com o objetivo de garantir o retorno da inflação à meta. O Copom avaliou ainda que trajetórias que assegurem a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante a partir da próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.
Histórico recente da Selic
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom iniciou o corte dos juros em março, em um cenário de queda da inflação, mas apontou que a guerra no Oriente Médio, refletida no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a redução da taxa.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.