Brasil vai buscar novos parceiros para diminuir impactos comerciais

Lula diz que Brasil buscará novos parceiros comerciais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3), em Brasília, que o Brasil vai continuar buscando novos parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial coordenada por Lula no Palácio do Planalto, em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.

Busca por mercados e reação às medidas dos EUA

Segundo o presidente, a estratégia é ampliar alternativas comerciais diante do cenário criado nos Estados Unidos. “Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse Lula aos ministros.

Lula também declarou que o governo decidiu “não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências” e afirmou que o país quer respeito nas relações internacionais.

Taxação sugerida e investigação do USTR

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório, de acordo com o texto, é resultado de uma investigação iniciada há um ano, no governo de Donald Trump, por supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre os argumentos citados no documento, o USTR acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.

G7 na França e defesa do multilateralismo

Lula afirmou ainda que vai participar da reunião do G7 em junho, na França, o que, segundo ele, não estava nos planos. O evento reúne líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, e o Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa do fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do Conselho de Segurança.

Prazos e negociação em curso

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é “insensata”, pois havia uma negociação em curso. Ele disse que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial. Os dois se reuniram na Casa Branca e, segundo Lula, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam uma relação comercial favorável aos EUA: de acordo com ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi de US$ 415 bilhões.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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