Caminhos da Reportagem debate impactos da escala 6x1 no Brasil

TV Brasil discute impactos da escala 6×1 no país

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O programa Caminhos da Reportagem leva ao ar nesta segunda-feira (18), às 23h, na TV Brasil, a edição Escala 6×1: um País Cansado, que apresenta um panorama de como a redução do tempo de trabalho vem sendo discutida no Brasil. A atração é exibida pela emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O tema do fim da escala de seis dias de trabalho para um de folga (6×1) está em debate no país desde 2015, no Congresso Nacional. Segundo o programa, a discussão ganhou as ruas, com movimentos sociais pressionando por mudanças, e, neste ano, o governo federal enviou um projeto de lei ao Congresso.

O que o governo diz sobre a redução da jornada

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirma que, para o governo, está em discussão a redução da jornada máxima de 44 horas para 40 horas semanais, com duas folgas e sem perda de salário. Ele acrescenta que isso não impede a delegação do tema para a negociação coletiva, para definir a organização da grade de jornada entre trabalhadores e empregadores.

Rotina na escala 6×1 e efeitos no bem-estar

A edição traz a história de Otoniel Ramos da Silva, porteiro que trabalha de segunda a sábado no Rio de Janeiro. Ele leva, em média, duas horas para ir e duas para voltar do trabalho nos seis dias em que trabalha, tendo o domingo como único dia de folga. “O trabalho é tranquilo, já o desgaste para o trabalho, a ida e a volta, é o que mais cansa”, diz.

O programa também cita estudo coordenado pela pesquisadora e fundadora da Reconnect, Renata Rivette, segundo o qual a escala 6×1 impacta negativamente na felicidade. Para ela, dependendo da escala, há exaustão física e mental, com reflexos diretos na vida pessoal.

Empresas testam escalas 5×2 e 4×3

Entre as iniciativas mostradas, a rede hoteleira Hplus, com 18 hotéis no Brasil, vem adotando gradativamente a escala 5×2, mantendo a jornada de 44 horas semanais. A empresária Paula Faure afirma que a expectativa é reduzir o número de atestados e a rotatividade, que, segundo ela, chega a 50% ao ano.

Em São Paulo, a Coffee Lab, fundada em 2004, participou do desafio Four Day Week Global e passou da escala 5×2 para a 4×3. A proprietária Isabela Raposeiras diz que a mudança trouxe melhorias em aspectos operacionais, financeiros e de clima organizacional, além de queda no turnover para 8%. O barista e instrutor Claudevan Leão afirma que três dias de folga na semana ajudam no descanso mental e físico.

Preocupação da indústria e debate econômico

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem manifestado apreensão sobre a redução da jornada. Para Paulo Afonso Ferreira, presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da entidade, a CNI não é contra discutir o tema, mas alerta que, se houver mudança, o consumidor pode acabar arcando com custos, já que as empresas precisariam pagar o mesmo salário de 44 horas para 40 horas semanais.

O pesquisador e professor da FGV Ibre Fernando de Holanda Barbosa avalia que a principal preocupação é a redução da carga total de trabalho com diminuição da produção e manutenção do salário, o que tornaria o trabalhador mais caro por hora trabalhada. Já o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, assessor das centrais sindicais, afirma que argumentos semelhantes foram usados em 1988, quando houve a redução de 48 para 44 horas semanais, e que nem todos os efeitos apontados à época se concretizaram.

A pesquisadora e professora da Unicamp Marilane Teixeira defende que o Brasil está pronto para trabalhar menos e afirma que avanços tecnológicos foram observados nos últimos 38 anos desde a última redução da jornada.

Quando assistir ao Caminhos da Reportagem

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é exibido às segundas-feiras, às 23h, com horário alternativo na madrugada de terça-feira, às 2h30.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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