Terras raras: "Brasil não abre mão de sua soberania", diz Lula

Lula defende soberania do Brasil sobre terras raras

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (18), em Campinas, no interior de São Paulo, que o Brasil “não vai abrir mão de sua soberania” para a exploração de minerais críticos e terras raras existentes no país. A declaração foi feita durante cerimônia no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde foram inauguradas quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius.

Soberania e parcerias na exploração de minerais

Segundo Lula, outros países poderão se associar ao Brasil para explorar esses recursos, desde que a atividade ocorra dentro do território brasileiro. “Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-la aqui dentro”, disse.

O presidente também defendeu o uso de ciência e conhecimento para acelerar estudos sobre os recursos, citando o papel de pesquisadores brasileiros, especialmente do CNPEM. “Se a gente for fazer esse estudo só cavando buraco, isso vai demorar muito”, afirmou.

Projeto Sirius inaugura quatro novas linhas de luz

As novas linhas de luz síncrotron do Sirius, descrito no evento como uma espécie de “supermicroscópio”, devem ampliar a capacidade de pesquisa do país em áreas como saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia. As estruturas inauguradas foram batizadas de Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê.

O investimento é de R$ 800 milhões, com recursos do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Lula afirmou que projetos com começo, meio e fim viabilizam a aprovação de recursos e podem dar ao Brasil “respeitabilidade mundial”.

O que faz cada nova linha de pesquisa

A linha Tatu, primeira em uma fonte de luz de quarta geração a operar na faixa dos terahertz, permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, contribuindo para avanços em telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz.

A Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias. Já a Quati permitirá investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.

Por fim, a Sapê pretende desenvolver materiais avançados com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, incluindo materiais supercondutores e semicondutores, apontados como importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.

Inovação em saúde e foco no SUS

Além da inauguração das linhas, Lula e o ministro em exercício da Saúde, Adriano Massuda, acompanharam o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A iniciativa, que será realizada inicialmente pelo CNPEM, tem como objetivo fortalecer a soberania tecnológica nacional na área da saúde e ampliar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.

De acordo com o governo, o programa pretende reduzir a dependência de tecnologias importadas e fortalecer a capacidade nacional de desenvolver soluções alinhadas às necessidades do SUS e da população brasileira.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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