Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ) estão à frente de um projeto com potencial para transformar a cadeia produtiva do lúpulo no Brasil e reposicionar o país como referência global entre regiões de clima tropical na produção e no fornecimento da matéria-prima. A iniciativa foi publicada em 16 de maio de 2026, no Rio de Janeiro.
O plano é desenvolvido no Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo), da Coppe, com a proposta de adaptar a produção de lúpulo ao ambiente nacional, dominar tecnologia e alcançar escala com competitividade internacional.
O que é o lúpulo e por que ele importa
O lúpulo é uma planta cujas flores, chamadas cones, são essenciais para a produção de cerveja, conferindo amargor, aroma e estabilidade à bebida. Seus compostos naturais também têm aplicações nos setores de alimentos, etanol, cosméticos e farmacêutico, o que amplia o potencial econômico e industrial da cultura.
Como o projeto pretende estruturar a cadeia produtiva
Segundo a coordenadora Amanda Xavier, do Programa de Engenharia de Produção ao qual o Casulo é vinculado, a proposta é integrar etapas que vão do cultivo com agricultura de precisão ao processamento industrial e ao controle de qualidade em laboratório próprio.
A iniciativa inclui ainda a produção de extratos de lúpulo, insumos de alto valor agregado obtidos por tecnologia avançada de extração com CO₂, com padronização, rastreabilidade e fornecimento em escala para diferentes segmentos industriais.
Mapa do Lúpulo e decisões de investimento
O Casulo/Coppe mantém parceria com a Associação Brasileira do Lúpulo (Aprolúpulo), que resultou na elaboração do Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, publicado em março de 2026. O documento é descrito como estratégico para orientar pesquisas, políticas públicas e investimentos.
A professora da Coppe afirma que a publicação do mapa já começa a nortear decisões de investimento e políticas locais, ajudando a planejar locais de cultivo, demandas de infraestrutura e iniciativas de capacitação técnica, além de priorizar pesquisas para melhoramento genético e protocolos de pós-colheita adequados ao clima tropical.
Vantagem competitiva e dependência de importações
Atualmente, a maior parte do lúpulo consumido no Brasil é importada, principalmente de regiões de clima frio, onde há apenas uma safra anual devido às condições de luminosidade e temperatura. Avanços recentes, porém, indicam que o país pode transformar suas características climáticas em vantagem competitiva.
Com manejo adequado e uso de tecnologias como suplementação luminosa, é possível alcançar até 2,5 safras por ano, aumentando a produtividade em relação aos países tradicionais produtores.
Em 2024, a produção mundial de lúpulo foi de cerca de 114 mil toneladas. No mesmo período, o Brasil produziu 81 toneladas, diante de uma demanda interna de aproximadamente 7 mil toneladas, em um mercado estimado em cerca de R$ 878 milhões por ano. Isso significa que o país produz 1,11% do que consome, cenário que, segundo o texto, evidencia dependência significativa de importações e espaço para crescimento.
Nesse contexto, a decisão sobre a localização do projeto é apresentada como fator relevante para acelerar a substituição de importações, fortalecer a indústria nacional e inserir o Brasil em uma cadeia global de maior valor agregado, além de induzir desenvolvimento regional, gerar empregos qualificados e atrair novos negócios.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.