Dólar sobe a R$ 5,06, e bolsa cai com tensão global e ruído político

Dólar fecha a R$ 5,067 e Ibovespa cai 0,61%

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O dólar voltou a subir e fechou esta sexta-feira (15) acima de R$ 5, no maior nível em um mês, enquanto a bolsa brasileira encerrou o pregão em queda, em um dia de turbulências externas e domésticas. O avanço da moeda americana e o recuo do Ibovespa refletiram a aversão global ao risco, influenciada pela guerra no Oriente Médio, pela pressão inflacionária internacional — que elevou as chances de alta de juros no Japão — e pelo agravamento das tensões políticas no Brasil.

A moeda estadunidense encerrou o dia vendida a R$ 5,067, com alta de R$ 0,081 (+1,63%). Em forte alta durante todo o dia, a cotação chegou a R$ 5,08 por volta das 13h, antes de desacelerar no fim da tarde. Na semana, o dólar comercial acumulou alta de 3,48%. Em 2026, no entanto, cai 7,70%.

No mercado acionário, o índice Ibovespa, da B3, fechou aos 177.284 pontos, com queda de 0,61%. O índice operou sob pressão durante todo o pregão, em meio a um ambiente externo mais defensivo e ao aumento das preocupações fiscais e políticas no cenário doméstico, apesar de ter reduzido parte das perdas ao longo do dia, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras.

Fatores externos elevam aversão ao risco

A valorização do dólar refletiu uma combinação de fatores externos e internos. No cenário internacional, investidores aumentaram apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar os juros nos Estados Unidos diante da persistência da inflação global, pressionada principalmente pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos.

O movimento ganhou força após os juros dos títulos públicos do Japão dispararem durante a madrugada. Os papéis japoneses de dez anos atingiram o maior nível desde 1999, chegando a 2,37%, enquanto os títulos de 30 anos ultrapassaram os 4%, após a inflação ao produtor no Japão acelerar para 4,9% em abril.

A perspectiva de alta dos juros pelo Banco do Japão levou investidores a desmontarem parte das operações conhecidas como carry trade, com retirada de capital de economias emergentes e fortalecimento do dólar.

Ruído político no Brasil amplia cautela

No Brasil, o mercado acompanhou desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Investidores avaliaram que o aumento das incertezas políticas ampliou a busca por proteção na moeda americana.

Na bolsa, além do cenário externo, os impactos políticos das revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro aumentaram a cautela em relação aos ativos brasileiros. Nesta sexta, o site Intercept Brasil divulgou nova reportagem com as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master.

Petróleo sobe mais de 3% e pressiona inflação

Os preços do petróleo subiram mais de 3% diante do aumento das tensões no Oriente Médio e da falta de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, rota responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo mundial. O Brent fechou em alta de 3,35%, a US$ 109,26, e o WTI avançou 4,2%, a US$ 105,42.

O mercado reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que sua paciência com o Irã estaria se esgotando. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã não confia nos americanos e que só negociará se houver seriedade por parte de Washington. O prolongamento da crise no Golfo Pérsico mantém elevada a preocupação com inflação global, pressionando juros e aumentando a volatilidade nos mercados financeiros.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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