STF apura emenda parlamentar para produtora de filme sobre Bolsonaro

STF apura emendas ligadas a filme sobre Bolsonaro

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) apura a destinação de emendas parlamentares a empresas e entidades ligadas à produtora responsável pelo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. Há mais de um mês, oficiais de Justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino para intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades.

Em 21 de março, Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo a parlamentar, Frias teria destinado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

Intimação e tentativas de localizar Mário Frias

De acordo com os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril.

Em todas as visitas, assessores informaram que o parlamentar estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.

Denúncia cita repasses e possível grupo econômico

A denúncia de Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025 do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

A partir da reportagem, Tabata sugere a formação de um grupo econômico composto por diferentes empresas e entidades sob um comando único, o que, segundo ela, poderia dificultar a rastreabilidade da execução de verba pública e estar indiretamente financiando produções cinematográficas de cunho ideológico.

Karina Ferreira da Gama também está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável por produzir o filme biográfico, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em meados de setembro, semanas antes do primeiro turno das eleições.

Respostas de Bia Kicis e Marcos Pollon ao STF

Também intimados por Flávio Dino, Bia Kicis e Marcos Pollon entregaram esclarecimentos dentro do prazo estipulado. Pollon afirmou ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, a produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

Segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e os recursos foram redirecionados para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos” (SP). Ele sustentou que a inexistência de execução afastaria hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos.

Bia Kicis declarou ter destinado R$ 150 mil para a mesma série e afirmou que a indicação não foi executada. Ela classificou a petição de Tabata como “maldosa” e disse não haver “qualquer conexão entre a emenda [parlamentar] e a obra cinematográfica Dark Horse”, refutando a alegação de que teria ajudado a custear, com dinheiro público, um filme sobre Bolsonaro.

Provocada por Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados afirmou que, do ponto de vista processual, não identificou irregularidades nas duas emendas de Mário Frias citadas por Tabata Amaral na representação.

Reportagem cita pedido de recursos para o filme “Dark Horse”

Nesta quarta-feira (13), uma reportagem do The Intercept Brasil afirmou que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme “Dark Horse”, e que, desse total, teriam sido liberados ao menos R$ 61 milhões. Áudios divulgados indicariam trocas de mensagens entre o senador e o banqueiro sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme.

Os áudios teriam ocorrido às vésperas de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, que aprofunda investigações de supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre os bancos Master e de Brasília (BRB).

Frias nega participação de Flávio Bolsonaro e diz que filme é privado

Roteirista e produtor executivo do filme, Mário Frias afirmou, nesta quarta-feira (13), que Flávio Bolsonaro não tem participação societária no filme ou na produtora Go Up Entertainment. Segundo Frias, a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

Na mesma nota, Frias afirmou que “Dark Horse” é uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, com “100% de capital privado”, e disse que o projeto será lançado “nos próximos meses”. Frias foi secretário especial de cultura (2020/2022) na gestão de Jair Bolsonaro.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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