Taxa de desemprego de pretos é 55% maior que a de brancos, revela IBGE

Desemprego de pretos é 55% maior que o de brancos

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A taxa de desemprego das pessoas pretas fechou o primeiro trimestre de 2026 em 7,6%, indicador acima da média nacional (6,1%) e 55% maior que o dos brancos, que ficou em 4,9%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Diferença no desemprego cresce em relação a 2025

O patamar atual da diferença entre pretos e brancos é superior ao registrado no último trimestre de 2025 (52,5% maior) e nos três primeiros meses do ano passado (50%). A maior diferença já apurada foi de 69,8%, no segundo trimestre de 2020, ano de eclosão da pandemia de covid-19.

Quando a série histórica da pesquisa foi iniciada, em 2012, o desemprego de pessoas pretas era 44,8% maior que o dos brancos. A menor diferença já verificada ocorreu no segundo trimestre de 2021, quando o índice foi 43,6% superior.

Pardos também têm taxa maior que a de brancos

Na comparação por cor da pele, a diferença é favorável aos brancos também em relação aos pardos. Nesse grupo, a desocupação está em 6,8%, o que representa 38,8% a mais do que entre brancos.

Quando a pesquisa começou, a diferença era de 37,3%. O menor nível de disparidade foi de 33,3% no segundo trimestre do ano passado, e o maior, 50,84%, no terceiro trimestre de 2023. No último trimestre de 2025, o desemprego dos pardos era 47,5% maior que o dos brancos.

IBGE aponta fatores e destaca necessidade de estudos

Para o analista da pesquisa William Kratochwill, a disparidade entre o desemprego de pretos e pardos em relação ao dos brancos aponta para “algo estrutural”. Segundo ele, isso “pode ser ligado a diversos fatores, não apenas a cor da pele”, citando questões como nível de instrução e região em que a pessoa vive.

Kratochwill afirma que, para determinar exatamente o que causa a diferença entre os grupos, “é necessário um estudo bem mais aprofundado, que leve em consideração diversas características e não apenas a identificação de cor ou raça”.

Informalidade é maior entre pretos e pardos

A Pnad também mostra desvantagem de pretos e pardos na formalidade do emprego. O IBGE considera informais os trabalhadores sem carteira e os autônomos e empregadores sem CNPJ.

Na média nacional, a taxa de informalidade ficou em 37,3%, proporção de ocupados sem garantias trabalhistas como seguro-desemprego, férias e 13º salário. Entre brancos, a informalidade foi de 32,2%; entre pardos, 41,6%; e entre pretos, 40,8%.

Mulheres têm desemprego 43,1% maior que homens

Ao comparar as taxas de desemprego por sexo, o IBGE indica que a desocupação das mulheres é 43,1% maior que a dos homens. No primeiro trimestre de 2026, o índice foi de 7,3% para mulheres e de 5,1% para homens, abaixo da média nacional (6,1%).

Desde o início da pesquisa, o desemprego das mulheres era 69,4% superior ao dos homens. A menor diferença foi registrada no segundo trimestre de 2020 (27%). Já na informalidade, a taxa dos homens (38,9%) é maior que a das mulheres (35,3%).

Jovens têm maior taxa; idosos, a menor

Por faixa etária, o grupo de 14 a 17 anos apresenta a maior taxa de desocupação (25,1%). Kratochwill avalia que “os jovens são aqueles que aceitam mais os trabalhos que são temporários, aqueles com menor estabilidade”, para ingressar no mercado e construir currículo.

Já as pessoas com 60 anos ou mais têm o menor desemprego, de 2,5%. Segundo ele, é a idade em que as pessoas começam a deixar o mercado de trabalho, e são poucos os que persistem em buscar ocupação.

Autoidentificação e perfil da população pesquisada

A Pnad usa como critério a autoidentificação, em que a própria pessoa escolhe como quer se declarar. No primeiro trimestre de 2026, entre pessoas com 14 anos ou mais, os pardos aparecem como maioria da população-alvo do levantamento (45,4%), seguidos por brancos (42,5%) e pretos (11,1%). Amarelos (origem asiática) e indígenas não foram detalhados pela Pnad trimestral.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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