Durigan: Brasil discutirá guerra e minerais em reuniões do Brics e G7

Brasil levará guerra e minerais a reuniões do Brics e G7

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os impactos econômicos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia e as negociações sobre minerais críticos serão os principais temas levados pelo Brasil às reuniões do Brics e do G7, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A declaração foi feita nesta terça-feira (12), em entrevista ao programa Na Mesa com Datena, na TV Brasil.

De acordo com Durigan, as negociações também devem envolver investimentos estratégicos e segurança energética. As viagens ocorrem em meio ao aumento das tensões geopolíticas globais e integram a estratégia do governo de antecipar cenários de turbulência internacional para proteger setores como combustíveis, agronegócio e mineração.

Agenda do Brics em Moscou

Durigan parte do Brasil nesta quarta-feira (13) e desembarca em Moscou na quinta (14), onde participará da reunião do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O foco, segundo o ministro, será discutir formas de proteger a economia brasileira dos efeitos das guerras internacionais, especialmente sobre os preços dos combustíveis e sobre o agronegócio. Ele pretende se reunir com representantes da Índia, de países do Oriente Médio e de outras nações do bloco para avaliar cenários econômicos diante da instabilidade internacional.

Durigan afirmou que, mesmo sendo alheia à vontade dos brasileiros, a guerra afeta o país. “Ela afeta muito a vida das pessoas. Claro, nós estamos acompanhando, como no preço de combustível”, declarou.

Outro ponto central da agenda será a preservação de investimentos financiados pelo Banco do Brics. Entre os projetos prioritários citados está o desenvolvimento do primeiro Hospital Inteligente da América Latina, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e com financiamento do banco. Segundo o governo, a iniciativa prevê integração tecnológica internacional e cooperação entre especialistas de vários países.

Minerais críticos na pauta do G7 em Paris

A pauta de minerais críticos também será tratada na França. Durigan chega na segunda-feira (18) para reuniões ligadas ao G7, em Paris, com a participação do Brasil como país convidado.

O governo brasileiro quer transformar o país em um dos principais fornecedores globais de matérias-primas consideradas essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética. Entre os minerais citados estão terras raras, nióbio e grafeno. Atualmente, a China lidera a produção mundial desses materiais, enquanto o Brasil busca consolidar sua posição como segunda maior reserva global.

Segundo Durigan, um novo marco legal aprovado pelo Congresso pretende dar segurança jurídica a investidores estrangeiros sem abrir mão do controle nacional sobre os recursos. “No Brasil, a gente quer dar segurança jurídica para um negócio que interessa ao mundo: minerais críticos”, afirmou.

O governo defende que futuras parcerias internacionais estejam vinculadas à industrialização local e à geração de empregos no país. Durigan disse ainda que a estratégia é estimular a industrialização para transformar matéria-prima em produtos mais elaborados e ampliar o desenvolvimento interno.

Além dos debates sobre minerais estratégicos, a agenda do G7 deve incluir segurança global, impactos econômicos das guerras e alternativas para estabilização geopolítica. Segundo o ministro, o Brasil pretende se apresentar como alternativa confiável para o fornecimento de minerais críticos diante da dependência internacional em relação à China.

Busca por investimentos em tecnologia e infraestrutura

As viagens também terão foco na atração de investimentos estrangeiros para setores de tecnologia e infraestrutura. Durigan disse que conversas anteriores com empresas alemãs, durante a Feira de Hanover realizada em abril na Alemanha, abriram espaço para futuras instalações industriais no Brasil.

Segundo o ministro, a estratégia do governo é vincular investimentos externos à criação de empregos qualificados, apoio às universidades e transferência de tecnologia. Ele afirmou ainda que o Brasil pretende manter relações internacionais sob uma lógica de defesa da soberania econômica.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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