Entenda como funciona investir no Tesouro Reserva

Tesouro Reserva: como investir a partir de R$ 1

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Lançado nesta segunda-feira (11), em Brasília, o Tesouro Reserva é a nova modalidade de título público federal com a qual o governo pretende atrair pequenos investidores e estimular a poupança. A aplicação começa em R$ 1, rende diariamente conforme a Taxa Selic e poderá ser movimentada 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados, com resgates a qualquer momento.

Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva estará disponível apenas para cerca de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil. O Tesouro Nacional informou que negocia a entrada de outras instituições financeiras na nova plataforma.

O que é o Tesouro Reserva

O Tesouro Reserva é um título público federal. Na prática, quem investe está emprestando dinheiro ao governo em troca de remuneração. O rendimento acompanha a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, e, com os juros básicos elevados, o novo título tende a render mais do que a poupança.

A proposta do Tesouro Nacional é que o produto funcione como uma opção simples para reserva de emergência, voltada a despesas inesperadas, como problemas de saúde, desemprego ou consertos. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, a ideia é aproximar o investimento público da experiência oferecida por aplicativos bancários.

Como funciona: rendimento diário e sem “marcação a mercado”

O Tesouro Reserva terá rendimento diário e poderá ser resgatado a qualquer momento. Diferentemente de outros títulos públicos, ele não terá “marcação a mercado”, mecanismo que faz o valor do investimento oscilar diariamente conforme as condições econômicas. Com isso, o investidor não verá o saldo cair temporariamente no extrato, algo comum em outros papéis do Tesouro Direto.

No Tesouro Reserva, o cálculo seguirá a “marcação na curva”, em que os juros são contabilizados dia após dia, reduzindo oscilações visíveis para o investidor.

Rendimento e comparação com a poupança

Com a Selic em 14,5% ao ano, o Tesouro Reserva deve superar a rentabilidade da poupança. Hoje, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando os juros básicos estão acima de 8,5% ao ano. Nos últimos 12 meses, a poupança rendeu 7,53%.

Segundo simulações do Tesouro Nacional, uma aplicação de R$ 1 mil poderia atingir R$ 1.051,23 em seis meses (R$ 20,85 a mais que a poupança), R$ 1.101,82 em um ano (R$ 40,14 a mais) e R$ 1.207,12 em dois anos (R$ 79,96 a mais).

Aplicação mínima e limite por pessoa

O Tesouro Reserva permitirá aplicações a partir de R$ 1, com limite máximo de R$ 500 mil por pessoa. Segundo o governo, a medida busca atrair pessoas que ainda não investem ou mantêm dinheiro parado na conta corrente.

Negociação 24 horas e movimentação via Pix

O Tesouro Reserva é o primeiro título público brasileiro com negociação contínua, permitindo aplicações e resgates 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender do horário tradicional do mercado financeiro. A nova plataforma também permitirá movimentações via Pix.

Impostos e taxas

O investimento terá cobrança de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos, com tabela regressiva da renda fixa: 22,5% (até 180 dias), 20% (181 a 360 dias), 17,5% (entre um e dois anos) e 15% (acima de dois anos). O IR incide sobre os rendimentos, não sobre o total aplicado.

Também haverá cobrança de IOF para resgates nos primeiros 30 dias. Até R$ 10 mil investidos, não haverá taxa de custódia da B3; acima desse valor, será cobrada taxa de 0,20% ao ano.

Concorrência com poupança, CDBs e “caixinhas”

A nova modalidade surge como tentativa de ampliar o acesso aos investimentos públicos e competir com produtos populares de bancos e fintechs, como poupança, CDBs e “caixinhas” digitais. Apesar de concorrer com a poupança, há diferenças: o rendimento do Tesouro Reserva será diário e tende a ser maior com juros altos, enquanto a poupança rende no “aniversário” mensal e é isenta de Imposto de Renda, o que não ocorre no novo título.

O Tesouro Reserva também vai disputar espaço com CDB, LCI e LCA. Em muitos casos, investimentos privados podem oferecer rentabilidade maior, com mais de 100% do CDI, especialmente com juros elevados, mas podem exigir prazos maiores de resgate ou ter regras de liquidez mais rígidas. Enquanto produtos bancários contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), títulos públicos têm garantia do próprio governo federal.

Meta do Tesouro Nacional

O Tesouro Nacional quer ampliar o número de investidores pessoa física. Hoje, os títulos públicos somam cerca de 3,4 milhões de investidores, e a expectativa oficial é superar 10 milhões de aplicadores nos próximos anos com a nova plataforma, apostando na facilidade de acesso, baixo valor de entrada e possibilidade de movimentação instantânea.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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