Com o avanço da presença feminina em cargos estratégicos, a maternidade também vem sendo apontada como uma fonte de inspiração e aprendizado para os negócios. Segundo o relatório Women in Business 2024, da Grant Thornton, as mulheres já ocupam cerca de 33% dos cargos de liderança sênior no mundo, o maior índice já registrado. Ainda assim, o desafio de conciliar carreira e vida pessoal segue como um dos principais entraves para a equidade.
No Brasil, segundo levantamento do IBGE e do LinkedIn, mulheres com filhos ainda enfrentam maior sobrecarga, mas também desenvolvem habilidades como gestão do tempo, inteligência emocional e resiliência — competências cada vez mais valorizadas no mundo corporativo.
Nesse contexto, cinco líderes à frente de grandes empresas compartilham aprendizados da maternidade que também aplicam na gestão de seus negócios.
Andrea Kohlrausch, presidente da Calçados Bibi
“Organização e rede de apoio são pilares do crescimento. Aprendi a descentralizar tarefas e a otimizar meu tempo. Sem isso, seria impossível conciliar a agenda profissional com a vida familiar”, afirma
Segundo Andrea, um dos maiores desafios de ser líder e mãe é equilibrar os diferentes papéis e responsabilidades, como gestora, empreendedora, mãe, esposa, filha e amiga. Para atender a agenda pessoal e a profissional, ela diz que a organização é essencial para contemplar todos os compromissos de forma equilibrada, sem sentimento de culpa e infelicidade.
“Para dar conta dos deveres de ser presidente de uma empresa com mais de 1.200 colaboradores e uma rede de franquias com mais de 150 lojas no Brasil e na América Latina, tive que desenvolver uma rede de apoio e, ao longo do tempo, aprendi a descentralizar algumas tarefas. Com dois filhos, foi necessário administrar a agenda deles à distância, devido aos compromissos profissionais e, dessa forma, otimizar meu tempo de forma mais eficiente”, revela.
Outro desafio apontado por ela é cuidar da saúde e do bem-estar. Ao longo dos anos, Andrea reservou o primeiro horário da manhã para si.
“Sempre gostei de esportes, mas vivi fases de sedentarismo. Hoje, acordo às 05h15 para me priorizar e ter uma vida mais ativa e saudável. Enquanto todos dormem, já estou iniciando as atividades físicas para estar bem, desenvolver a agenda profissional e ter um tempo de qualidade com minha família”, finaliza.
Ana Medici, CEO e fundadora da LIS Play
“Integração entre vida pessoal e profissional. Conciliar maternidade e liderança não é sobre equilibrar tudo igualmente, mas sobre reduzir atritos e tornar a rotina mais fluida;
Para Ana, conciliar a liderança de uma empresa com a maternidade não é dividir a vida em partes iguais, mas integrar as duas com fluidez. Ela afirma que o objetivo é reduzir os atritos entre trabalho e vida pessoal, tornando tudo mais natural e conectado. Segundo a executiva, as prioridades mudam e o mais importante é saber onde estar inteira em cada momento.
A executiva também destaca que contar com um time forte e uma rede de apoio é essencial, assim como tomar decisões com base em clareza e propósito, não em culpa. Para ela, a tecnologia ajuda a ganhar eficiência e liberar energia para o que realmente importa. Ao final, reforça que não existe perfeição: tanto empreender quanto ser mãe são jornadas de construção contínua.
Bruna Vasconi, sócia-fundadora do Peça Rara Brechó
“Empreender com propósito e adaptabilidade. Construí o negócio junto com a minha família, adaptando a rotina e as decisões conforme cada fase”;
Bruna Vasconi conta que o empreendedorismo sempre fez parte de sua trajetória, construída em paralelo à maternidade desde muito cedo. Aos 19 anos, durante a faculdade de Psicologia, casou-se e teve o primeiro filho e, logo depois, a segunda filha, o que a levou a diversificar produtos para complementar a renda. Entre lingeries, chocolates, semijoias e itens de beleza vendidos na universidade, começou a estruturar uma lógica de negócio.
No último ano da graduação, ao buscar uma alternativa viável e de baixo investimento, encontrou no brechó infantil um modelo alinhado à sua realidade. Com um empréstimo de R$ 7 mil da avó, abriu o primeiro brechó com uma amiga, a partir de peças dos próprios filhos e de amigas — iniciativa que evoluiu para o Peça Rara Brechó.
Segundo o texto, o negócio cresceu junto com a família e, hoje, mesmo após a chegada de mais dois filhos, a operação avançou para o franchising e se profissionalizou. Bruna afirma manter como eixo a curadoria, o consumo consciente e a integração entre gestão e rotina familiar. Há um ano, ela deixou o cargo de CEO para um executivo do mercado e assumiu a presidência do conselho do Peça Rara Brechó. Bruna se mantém na liderança de uma rede com mais de 130 lojas no país e faturamento de cerca de R$ 300 milhões em 2025.
Claudia Abreu, CEO da Royal Face
“Liderança com propósito e legado. Ser mãe potencializa a liderança. Passamos a entender ainda mais o valor de abrir caminhos e dar exemplo”;
No Dia das Mães, a trajetória de Claudia Abreu, CEO da Royal Face, é apresentada como um retrato do perfil da mulher que equilibra liderança e maternidade com propósito. Mãe de dois filhos adolescentes, ela concilia decisões estratégicas, crescimento profissional e o papel de formar valores dentro de casa.
À frente de uma das maiores redes de estética do país, Claudia construiu a carreira liderando projetos complexos e acelerando negócios, experiência que, segundo o texto, ganha uma dimensão mais humana ao integrar a maternidade ao seu estilo de gestão. Sua atuação em transformação digital, experiência do cliente e expansão reflete a visão de que resultados são consequência de cultura, preparo e decisões ágeis.
“Liderar é transformar potencial em resultado com propósito. E ser mãe potencializa isso. A gente passa a entender ainda mais o valor de construir caminhos, abrir portas e dar exemplo. Quando mais mulheres ocupam posições estratégicas, criamos empresas mais fortes e uma sociedade mais preparada para o futuro”, afirma.
Luciana Melo, CEO Café Cultura
“Presença de qualidade e comunicação transparente. Mais importante que o tempo é a qualidade da presença, tanto no trabalho quanto com a família”;
Luciana Melo avalia que conciliar a liderança do time do Café Cultura com a maternidade não é sobre equilíbrio perfeito, mas sobre fazer escolhas conscientes em uma rotina dinâmica. Em vez de separar rigidamente vida pessoal e profissional, ela aponta como caminho mais realista integrar as duas dimensões, entendendo que as prioridades mudam e exigem presença genuína em cada momento.
Para sustentar essa dinâmica, a executiva afirma que delegar é essencial, tanto no âmbito corporativo quanto no pessoal, além de construir uma rede de apoio sólida. Ela também defende que decisões não devem ser guiadas pela culpa, mas por valores e propósito. Comunicação transparente, autocuidado e rituais de conexão com a família são citados como formas de dar consistência à rotina. Para ela, aceitar que não existe perfeição é parte fundamental do processo.
Texto via assessoria de imprensa