Endometriose: a doença silenciosa que afeta milhões de mulheres

Foto: Freepik

Condição atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a OMS; especialista explica os sintomas e aponta 5 estratégias de controle.

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de cada vez mais presente nas discussões sobre saúde da mulher, a condição ainda é cercada por dúvidas e frequentemente subdiagnosticada.

A doença ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, passa a se desenvolver fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e até a bexiga. Esse crescimento anormal provoca inflamação e está associado a dor e, em alguns casos, infertilidade.

O principal sintoma é a cólica menstrual intensa, muitas vezes incapacitante. No entanto, a doença também pode se manifestar com dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias, além de dificuldade para engravidar. Esses sinais, com frequência, são subestimados tanto por pacientes quanto por profissionais de saúde, o que contribui para o atraso no diagnóstico.

Não é esperado que a mulher sinta dor a ponto de comprometer suas atividades diárias. Sentir dor nunca é normal e precisa ser investigado.

afirma a Dra. Madalena Oliveira, médica e professora na pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória.

As causas da endometriose ainda não são totalmente esclarecidas, mas sabe-se que a doença tem origem multifatorial. Um dos mecanismos mais aceitos é a menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade abdominal, podendo desencadear inflamação. Além disso, fatores genéticos, hormonais e alterações no sistema imunológico também contribuem para o desenvolvimento da condição.

A endometriose é multifatorial, envolvendo predisposição genética associada a alterações hormonais e imunológicas que favorecem o surgimento das lesões.

explica a Dra. Madalena.

Esse processo ajuda a entender por que algumas mulheres desenvolvem a doença e outras não. Em certos casos, o organismo não consegue eliminar adequadamente essas células que retornam pelas trompas, permitindo sua implantação e progressão. Como a doença está relacionada ao ciclo menstrual, seus sinais tendem a se tornar mais evidentes ao longo do tempo.

Não há uma forma comprovada de prevenir completamente a endometriose, o que torna a atenção aos sinais e o diagnóstico precoce fundamentais para evitar a progressão da doença.

Pacientes jovens que apresentam cólicas intensas e persistentes precisam ser avaliadas com cuidado, porque esse pode ser um dos primeiros sinais da endometriose.

alerta a especialista.

Nesse sentido, manter acompanhamento ginecológico regular, investigar sintomas fora do padrão, adotar hábitos de vida saudáveis e evitar a automedicação são medidas importantes. Em casos selecionados, estratégias que reduzem ou suprimem a menstruação, como DIU hormonal, anticoncepcionais contínuos e implantes, também podem ser indicadas para controle dos sintomas.

O diagnóstico precoce é uma das principais ferramentas que temos hoje. Quanto antes identificamos a doença, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida da paciente.

conclui a médica da Afya.

5 formas para reduzir os impactos da endometriose

Apesar de não ter cura definitiva, a endometriose pode ser controlada com acompanhamento adequado. O tratamento é sempre individualizado, levando em conta a intensidade dos sintomas, a extensão da doença e o desejo reprodutivo da paciente.

Tratamento medicamentoso: uso de analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Terapia hormonal: utilização de anticoncepcionais, progestagênios ou outras medicações que reduzem a atividade hormonal, ajudando a conter o crescimento das lesões.

Cirurgia: indicada em casos mais avançados ou quando não há resposta ao tratamento clínico, com o objetivo de remover os focos de endometriose.

Acompanhamento multidisciplinar: cuidado integrado com diferentes profissionais, como ginecologista, endocrinologista, fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico e suporte psicológico.

Dieta anti-inflamatória: priorizar alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva e oleaginosas, e reduzir ultraprocessados, açúcares e frituras pode ajudar no controle dos sintomas.

Texto via assessoria de imprensa

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