A partir do dia 1º de maio, entra em vigor o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia, trazendo mudanças significativas para as exportações brasileiras ao mercado europeu. Conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos brasileiros destinados à Europa terão suas tarifas de importação zeradas imediatamente.
Este acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, integrando um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas. Também proporciona benefícios diretos, como a redução de custos para as empresas nacionais, que passam a competir de forma mais vantajosa frente a fornecedores de outros países.
Entre os aproximadamente 2.900 produtos que terão isenção tarifária desde o início, destaca-se a predominância do setor industrial, responsável por cerca de 93% destes itens. Além disso, diversos produtos agrícolas e matérias-primas fazem parte da lista, ampliando as oportunidades para variados segmentos econômicos.
Os setores mais beneficiados pelo acordo incluem máquinas e equipamentos, que representam cerca de 21,8% dos produtos com tarifas eliminadas, seguidos por alimentos (12,5%), metalurgia (9,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%) e produtos químicos (8,1%). Produtos como compressores e bombas industriais estarão entre os beneficiados, especialmente no setor de máquinas e equipamentos, onde quase 96% das exportações brasileiras para a UE terão tarifa zero.
O impacto esperado é positivo para a indústria nacional, que ganhará maior competitividade para atuar em um dos mercados mais exigentes mundialmente. Atualmente, as barreiras tarifárias elevam o custo dos produtos brasileiros no bloco europeu, prejudicando sua penetração.
Esse acordo também aumenta o alcance comercial do Brasil, dado que, até o momento, os países com acordos comerciais representam apenas cerca de 9% das importações globais, podendo saltar para mais de 37% com a inclusão da União Europeia. Além disso, o pacto oferece maior segurança jurídica e previsibilidade no comércio, definindo regras claras para comércio, compras governamentais e padrões técnicos.
Embora o benefício seja imediato para a maior parte dos produtos, a eliminação das tarifas em itens considerados sensíveis será progressiva, com prazos que podem chegar a 10 anos na UE, 15 anos no Mercosul e até 30 anos em casos específicos ligados a novas tecnologias.
Nos próximos passos, o governo brasileiro deverá regulamentar aspectos como as cotas de exportação dentro do Mercosul, enquanto entidades do Mercosul e da União Europeia formarão um comitê conjunto para monitorar a implementação e apoiar empresas na adaptação às novas condições comerciais.
Texto original e independente produzido a partir de apuração factual publicada pela Agência Brasil. Imagem: © União Europeia/Mercosul.