A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado não terá seu prazo prorrogado, informou o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A decisão foi comunicada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que optou por manter a data de encerramento do colegiado para o próximo dia 14 de abril.
Vieira havia solicitado a extensão dos trabalhos da CPI por mais 60 dias, ressaltando a importância de continuar com as investigações sobre a atuação, expansão e estrutura das facções criminosas no país. Contudo, o presidente do Senado alegou a proximidade do calendário eleitoral este ano como motivo para não conceder a prorrogação.
O relator destacou que o fim das atividades impedirá a continuidade da apuração de denúncias de grande gravidade, como a infiltração de organizações criminosas em setores públicos do Rio de Janeiro, além do caso conhecido como Banco Master. Segundo o senador, esta última investigação é exemplar para demonstrar a complexidade da infiltração do crime organizado e corrupção em diferentes poderes da República.
Vieira afirmou que o Banco Master não se tratava de uma instituição financeira legítima, mas de um grupo envolvido em lavagem de dinheiro, estelionato, corrupção e diversas fraudes. A entidade teria prestado serviços para figuras influentes em poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no nível federal.
O senador também relembrou que, paralelamente à criminalidade violenta aumentando sua presença e influência em territórios brasileiros, existe uma infiltração corrupta em escritórios e gabinetes em Brasília, São Paulo e outros centros onde haja recursos e poder concentrados.
Durante a sessão plenária presidida por Alcolumbre, o chefe do Legislativo não fez comentários sobre as declarações feitas por Alessandro Vieira.
Texto original e independente produzido a partir de apuração factual publicada pela Agência Brasil. Imagem: © Geraldo Magela/Agência Senado.