O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, nesta quarta-feira (8), seu posicionamento favorável à proibição das apostas eletrônicas de quota fixa, popularmente conhecidas como bets, no Brasil. Em conversa com o canal ICL Notícias, ele expôs preocupação com o crescimento do endividamento entre os brasileiros e os impactos negativos à saúde pública relacionados ao vício em jogos.
Lula enfatizou que a decisão final sobre a possível extinção das bets dependerá do diálogo e articulação com o Congresso Nacional. Ele criticou o atual cenário de jogos descontrolados, afirmando que esta situação incentiva comportamentos desviantes na sociedade.
O presidente também destacou que o setor de apostas exerce considerável influência política, com financiamento a parlamentares e partidos, o que torna o debate mais complexo. Segundo ele, muitos casos de endividamento estão associados a salários baixos e são agravados pela busca por ganhos rápidos prometidos pelas apostas.
Conforme dados do Banco Central, no primeiro trimestre de 2025, os brasileiros aplicaram até R$ 30 bilhões mensais em apostas fixas. Lula ainda comparou a situação atual à antiga proibição dos cassinos físicos e do jogo do bicho, observando que a tecnologia atual permite que jogos de azar estejam facilmente acessíveis dentro dos lares, inclusive para crianças.
Ao comentar sobre a relação das apostas com o futebol, o presidente questionou a justificativa de que os clubes dependem dessa fonte de patrocínio, lembrando que o esporte existiu por mais de cem anos sem esse tipo de apoio financeiro.
Desde 2018, as apostas de quota fixa em eventos esportivos são legalizadas no país, com regulamentação detalhada implementada entre 2023 e 2024, incluindo a criação da Secretaria de Prêmios e Apostas. Embora Lula defenda a proibição das bets, a arrecadação tributária relacionada a esse setor aumentou significativamente, chegando a R$ 2,5 bilhões nos primeiros dois meses de 2026, um crescimento anual de 236%.
Texto original e independente produzido a partir de apuração factual publicada pela Agência Brasil. Imagem: © Ricardo Stuckert / PR.