Plenário da nova sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no Edifício Lúcio Costa, na Rua da Ajuda, centro da cidade.

Legislação sobre inteligência artificial privilegia vigilância e segurança pública, indica levantamento

Plenário da nova sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, crédito: © Fernando Frazão/Agência Brasil

Um dossiê elaborado pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR) revelou que as proposições legislativas relacionadas à inteligência artificial (IA) apresentadas entre 2023 e 2025, em cinco estados brasileiros, concentram-se majoritariamente em controle e vigilância.

A análise considerou projetos apresentados nas assembleias legislativas do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. Dos 183 textos identificados, 48% tinham como foco a segurança pública, enquanto 22% determinavam medidas relativas à educação, incluindo a criação de programas e incentivos envolvendo IA para estudantes.

Outras áreas como meio ambiente, trabalho, proteção ao consumidor, saúde mental e processamento de dados representaram menos de 10% das proposições, evidenciando uma concentração significativa do debate legislativo em aspectos de monitoramento e controle social.

Os projetos que tratam de IA na segurança pública abordam tecnologias como monitoramento urbano por câmeras e drones, reconhecimento facial, instalação de totens blindados, criação de centros e observatórios de segurança, além da proposição de fundos destinados a financiar essas iniciativas.

O documento destaca que o uso dessas tecnologias pode ameaçar o Estado Democrático de Direito ao invadir a privacidade dos cidadãos, protegida pela Constituição Federal e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A IDMJR alerta para os riscos decorrentes da ampliação do uso da IA em operações policiais e de vigilância.

A Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, responsável pela publicação do Dossiê Orçamentário 2026, atua no enfrentamento da violência de Estado e promove debates sobre segurança pública alinhados à perspectiva do racismo estrutural.

Texto original e independente produzido a partir de apuração factual publicada pela Agência Brasil. Imagem: © Fernando Frazão/Agência Brasil.

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