Na terça-feira, 31 de março de 2026, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou a convocação de três importantes figuras públicas: os ex-governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor dos requerimentos para as convocações, destacou a importância do depoimento de Ibaneis Rocha para a investigação sobre as relações comerciais entre seu escritório de advocacia e entidades sob investigação da Polícia Federal, bem como as decisões do governo distrital que envolveram negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
De acordo com informações preliminares apresentadas na CPI, o escritório de Ibaneis manteve contratos milionários com grupos ligados ao Reag Investimentos e ao Banco Master, além de ter recebido transferências financeiras incomuns do Grupo J&F. Ibaneis também teria atuado diretamente para a aprovação da aquisição do Banco Master pelo BRB, banco público do Distrito Federal, sendo que transações questionadas nesse contexto totalizam cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos.
Quanto a Cláudio Castro, seu depoimento é considerado essencial para entender as complexas dinâmicas do crime organizado no Rio de Janeiro, estado que tem sido apontado como um laboratório das práticas criminosas mais sofisticadas no país. A CPI visa investigar a simbiose entre facções narcotraficantes e grupos milicianos formados por agentes e ex-agentes de segurança, fenômeno conhecido como “narcomilícia”.
Além disso, a reconvocação de Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025, foi aprovada após ele não poder comparecer à reunião anterior da CPI. Vieira ressalta que a convocação é para ouvi-lo como testemunha qualificada, não atribuindo responsabilidade prévia a Campos Neto, buscando esclarecimentos sobre os procedimentos e práticas do Banco Central que podem contribuir para os trabalhos da comissão.
Outros pedidos de convocação, como o do ex-diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes, também foram aprovados. A CPI ainda autorizou quebras de sigilos de pessoas físicas e jurídicas, respeitando as novas exigências do Supremo Tribunal Federal (STF) para continuidade das investigações.
Texto original e independente produzido a partir de apuração factual publicada pela Agência Brasil. Imagem: © Lula Marques/ Agência Brasil..