Não há registro de uma pré-eleição tão emocionante e com tantas incógnitas como a atual no Estado do Paraná. O governador Ratinho Junior é, e será, obviamente o principal ator da corrida eleitoral estadual tamanho é seu prestígio junto a população após sete anos de governo. E para quem conhece um pouco o governador já era de esperar que ele chegaria com uma preferência para a sucessão.
Traduzido, leia-se hoje Guto Silva. Não quer dizer que Guto sempre foi seu preferido, mas com os anos de gestão passando ele foi medindo os que lhe cercam e analisando qual garantiria maior confiança de continuidade, tanto do governo, quanto do grupo político. Pode-se cravar que Guto será o escolhido? Não ainda, uma coisa é ter preferência, outra é não medir essa tendência e lançar uma candidatura que não tenha o mínimo de condição de disputa. Sendo assim, a preferência é real, mas a importância de não perder pesa mais.
O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, bem que tentou, e até trabalhou arduamente para ser o preferido, ainda continua trabalhando. A diferença é que Curi tem vida própria, compromissos históricos e, por mais que prometa lealdade, tem diferença quando se toma o poder. O que isso quer dizer? No entendimento de quem cerca o governador é que são grupos distintos. O dele é um, e do governador é outro.
Quanto a Rafael Greca, comenta-se que seu histórico já depunha contra, e quando não foi escolhido para a principal Secretaria do Governo, a Secretaria das Cidades, o xeque-mate já estava sinalizando, só não viu quem não quis.
Existe como aparar todas as arestas e seguir em frente “unidos em paz”? Difícil. Uma alternativa apontada seria com Curi como candidato a senador ou vice. Mas dizem que ele não está animado com isso. Já para Greca não haverá lugar na chapa principal. Goste ele ou não. Quem sabe uma candidatura a deputado.
Do outro lado a candidatura do senador Sérgio Moro que vem resistindo as mais diversas tempestades. Muita gente apostava que ele perderia a queda-de-braço na disputa pelo partido União Brasil com o deputado Felipe Franschinni e mais alguns deputados. E teve gente que apostou. Pelas beiradas, quieto, ele foi e conquistou o partido.
Na sequência, de forma estratégica arrebanhou a jornalista Cristina Graeml, que foi a grande surpresa da eleição municipal e por muito pouco não virou prefeita da capital.
Agora o novo terremoto na vida de Sérgio Moro é a federação do União Brasil com o Progressista, já que aqui no Paraná a “turma” do Progressista fala de manhã, tarde e noite, que não vai aprovar a candidatura de Moro para o governo. E o que o senador faz? Nada. Exatamente nada. E isso tem deixado o Progressista, e principalmente seu cacique Ricardo Barros, atormentados. Barros já fez todos os acenos possíveis para Moro, que simplesmente ignora.
Qual o futuro desse caso, muito provável a permanência de Sergio Moro, a debanda de deputados e candidatos para outras siglas, e o enfraquecimento de Ricardo Barros ao ponto de pela primeira vez na história perder protagonismo e virar mero expectador da eleição estadual. E Moro, fica, e vai jogar todas suas fichas na candidatura ao governo pela federação, até porque, qual partido não gostaria de comandar um Estado como o Paraná.
A candidatura da esquerda se potencializa no deputado estadual Requião Filho, mas comenta-se nos bastidores que uma aproximação e eventual candidatura de Rafael Greca por um partido de centro-esquerda também seria alternativa e um plus na construção da grande frente de oposição ao candidato do governo. Mas isso combinaria já que Greca esta até agora no governo?
Em política até “vaca voa”.
Há ainda uma tese de uma candidatura de Alexandre Curi ao governo mesmo não sendo ele o escolhido pelo governador. Muito difícil, para alguém com um entorno tão grande e dependente dos cargos públicos, dar esse “all in” na carreira política é algo muito temerário. E o entorno dele range os dentes com essa possibilidade.
Os ingredientes dessa frenética pré-eleição no Paraná ficam ainda mais fortes quando surge a possibilidade da candidatura de Ratinho Junior a presidência da república. Se isso se confirmar, o Estado onde Ratinho precisa sair expressivamente vitorioso é obviamente o Paraná, e como garantir isso se o seu candidato ao governo não estiver com todo o apoio local possível e bem no cenário eleitoral? Neste caso, não seria necessário rever tudo que está se falando até agora? É o que já se comenta entre os cabeças mais brancas ou sem cabelos do entorno do Palácio Iguaçu.
Nesta esteira já aparecem nomes como sugestão para agregar todo o grupo do governo sem ruídos e fogo amigo, como por exemplo do prefeito da capital. O “bom moço” que é querido de todos. Ou um Outsider – empresário bem sucedido do estado. Ou um presidente das tradicionais cooperativas.
Não existem todas as respostas neste momento. E talvez elas cheguem daqui a pouco no fim do mês de março como todos esperam. É provável que essas respostas somente sejam dadas no mês de julho, nas famosas convenções eleitorais. Uma coisa é certa, tem muita gente sem dormir e com muito suco de maracujá na geladeira. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.