Faz um tempo eu vi um Roda Viva com a participação do Pondé e da Tati Bernardi.
Poderíamos dizer que a interação entre eles foi mais um duelo de lacração do que outra coisa, mas no resumo da ópera a jornalista pergunta como perdoar o pai no natal por ser bolsonarista, ao que Karnal (uma confusão, eu sei, mas assiste aí) responde que se o assunto com o pai apenas girar sobre política, o problema não é a política.Mas e quando é?
E quando tudo e qualquer coisa gira em torno dela?
O preço do leite.
O preço do petróleo.
O penalti não marcado.
O penalti marcado.
Quando numa sexta-feira, 15h33 você tropeçou e caiu.Temos indignação coletiva.
Vemos a opinião do outro como embate.
Embate requer antagonismo.
Há heróis e há bandidos.Tenho uma novidade para você:
Não há.
Todos somos, ao mesmo tempo, heróis e bandidos da própria história.Já faz um tempo que deixei de discutir política.
(pra ser sincero, tento fazer isso ao máximo possível)
Principalmente com as pessoas que amo.Quando se discute política com paixão, se discute qualquer coisa, menos política.
Eu, sendo do jornalista do século 12, entendo que político existe para ser cobrado, não idolatrado.
Quando me falam mal do Bolsonaro, do Lula ou do Xandão, a minha resposta é sempre a mesma:
– Na dúvida, prendam os 3 e tá tudo certo.Tenho uma repulsa profunda por movimentos de idolatria do candidato A ou B.
Enquanto para mim se resume em: quem vai fazer menos M… Porque todos eles vão fazer!Para a grande maioria é algo como: vou votar para F*der o fulano.
Por fulano, entenda o candidato contrário, o vizinho que você não gosta e sabe que vai votar no outro, o parente que vai puxar o assunto na ceia de Natal. O ponto é provar que estava certo.Meu Whatsapp, (aberto para auditoria para aquele que duvidar) só viu vídeos de política que tiram sarro de políticos, como o Lula dizendo que queria ter câncer para ir no hospital inagurado seguido do meme “Corra que a Polícia Vem Aí” em que todos estapeiam a própria cara, ou o Bolsonaro dizendo que ninguém levaria o seu celular seguido de “levaram meu celular”.
E aqui vale um esclarecimento para não parecer desonestidade intelectual.
Sim, já trabalhei muito com político.
De esquerda? Yes!
De direita? Yes!
Teve ano que trabalhei para direita e esquerda ao mesmo tempo.
TRA BA LHEI!Não amei.
Não casei.
Não defendi.
TRA BA LHEI.Sinto profundamente que a política envenenou as pessoas.
Pessoas que são as melhores pessoas no dia a dia, defendem políticos que defendem as piores coisas.
Não há sentido.
Só há ódio.
Ódio pelo contrário.Então, ao contrário da Bernardi, não acho que há algo a ser perdoado.
Acho que há muito a ser lamentado.
Lamentado que quando se vai num churrasco, se pergunte sobre a “picanha do Lula”.
Quando se convida alguém para sair, se lembra que “eu vou, mas o Jair não vai”.Do nada.
Por nada.
Insere-se política.Em geral, meu pensamento genuíno é:
Voto no melhor político possível, entendendo que todos eles são horríveis.
NUNCA voto em alguém por mais de uma vez.
Fraudas e políticos devem ser trocados com frequência pelo mesmo motivo.Como prova de que falo sério quando digo que não suporto mais qualquer discussão política que envolva paixões, acabei, junto com meus colegas Geison e Duda, da atividade de comunicação que eu mais amava: apresentar um podcast. Nesse caso, O Pior do Brasileiro.
90% dele era recheado com políticos.
Políticos de tudo quando é lado e sem lado.
Um debate recheado de paixões dos ouvintes que insistiam em ignorar o nosso mantra:
”não tenha políticos de estimação”.Então, deixo o debate de coração limpo.
Confesso, que de modo meio arrogante, admiro menos as pessoas que inserem política em tudo.
Acho que elas ficam menores.
Morre um pouco da admiração que tenho por essas pessoas a cada frase de defesa.Todos defendem algo ou alguém
Ao menos, ame alguém que conhece você.
De resto…
pérolas aos porcos.