O governador do Paraná Ratinho Júnior já declarou que seu partido terá candidato ao governo do estado em 2026, algo natural já que o PSD é sua sigla e tem grande expressão na política estadual. Mas falta uma definição importante: quem será o candidato? E aí existe um quebra-cabeças a ser decifrado já que na liderança isolada das pesquisas está o senador Sérgio Moro, do União Brasil, com um discurso pronto: defender o Paraná do PT e seus aliados.
Se a eleição em 2026 repetir a disputa ideológica entre direita e esquerda, e confirmando a candidatura de Requião Filho na frente ampla da esquerda, com PDT, PT, PV, PSOL e Rede, poderia se dizer que esses dois campos estariam preenchidos: com Sérgio Moro candidato anti-PT e Requião Filho candidato anti-direita.
Neste caso, como se colocaria o candidato do governo? Existe uma leitura nos bastidores da ala governista que a eleição estadual será uma réplica da eleição municipal em Curitiba, quando a candidata Cristina Graeml que representava a extrema direita foi pro segundo turno mas perdeu para Eduardo Pimentel, que teoricamente contou com os votos da esquerda. Sendo assim, o primeiro desafio do Governo seria levar seu candidato pro segundo turno contra Sérgio Moro e recrutar votos contrários ao ex-juiz da Lava Jata que determinou a prisão do presidente Lula.
Por outro lado, o entorno de Sérgio Moro destaca dois pontos, o primeiro é que ele não cometerá os erros de Graeml, que escolheu um vice problemático e foi despreparada aos debates, alem de apresentar uma proposta desestruturada ao transporte público. E o outro ponto é que o eleitorado do Paraná conhece muito bem Sérgio Moro e suas posições.
Ao começar montar seu quebra-cabeças o governador Ratinho Júnior sabe que esse desenho direita e esquerda será inevitável, ainda mais quando se trata de uma população sulista. E entre seus prováveis nomes apontados para a disputa, mais importante que o desempenho atual nas pesquisas é o histórico e o telhado de cada um deles.
Se na vida em geral a frase “seu passado lhe condena” faz sentido, na política ele é decisivo. Muito provável por isso que o governador ainda não tenha sinalizado se o candidato é Darci Pianna, Guto silva, Alexandre Cury, Rafael Greca ou até mesmo um outsider de última hora.
O núcleo político de Ratinho Júnior e até ele mesmo com sua forte ligação a área da comunicação reconhecem que a política mudou e o eleitor é totalmente diferente das décadas passadas. O choque mais recente se deu na eleição de Curitiba, quando Eduardo Pimentel praticamente fez pré-campanha durante 8 anos, chegou a ser prefeito por várias vezes, secretário da Estado da pasta mais importante, contou com o apoio das três máquinas, governo do Estado, prefeitura e Assembleia Legislativa, e ficou com 33% dos votos no primeiro turno, empatando com uma candidata que surgiu do além e com zero estrutura. Ou seja, o formato tradicional de apoios e estrutura financeira não funcionou como pretendiam.
Por todas essas vertentes é que a eleição de 2026 no Paraná promete ser a mais surpreendente dos últimos tempos e tem muitos cenários a serem experimentados nesses próximos meses.