A Venda da Celepar: O Padrão Ratinho de Governo – Vender Tudo, Inclusive a Própria Alma

Foto de Tramujas Jr.

Tramujas Jr.

Por Francisco Tramujas

 

Em um ato de capitulação que já virou modus operandi – o governo do Paraná decidiu que sua única vocação é leiloar o patrimônio público até restar apenas o pó. A Celepar, a joia da coroa dos dados de quase 12 milhões de paranaenses, não está apenas na vitrine do bazar. Ela é a primeira empresa pública deste setor – estadual ou federal – a ser colocada no pelourinho da privatização no Brasil atual, e a próxima vítima do Padrão Ratinho de Governo.

 

Qual é o padrão? Simples: identificar um patrimônio público valioso e lucrativo, inventar uma crise de “ineficiência”, gastar uma fortuna do erário para preparar a venda, e finalmente entregá-lo a preço de banana a interesses tão obscuros que chegam a ser criminosos.

 

Não estamos especulando. Estamos olhando para o histórico.

 

A COPEL (Companhia Paranaense de Energia), uma das melhores e mais lucrativas empresas de energia do país, foi vendida em um processo MUITO suspeito, repleto de denúncias de subavaliação e manobras para favorecer fundos especulativos. O povo paranaense, dono da empresa, foi apartado de sua própria riqueza. Privatização este que o governador Ratinho Jr antes das eleições afirmava que jamais apoiaria.

 

Os Terminais do Porto de Paranaguá, um dos corações da economia paranaense, foram privatizados de forma para lá de suspeita. E as suspeitas não são leves: rumores e investigações jornalísticas sérias apontam que um dos consórcios vencedores pode ter laços com o Comando do PCC, que usava a famosa “Faria Lima” para lavar dinheiro e legitimar seus negócios.

 

Ou seja, o governo Ratinho Jr. pode ter, na prática, entregue um ativo estratégico do estado a uma facção criminosa. É o ápice do “Estado mínimo”: mínimo a ponto de fazer negócios com a milícia.

 

É nesse pântano ético que a venda da Celepar nada. O governador, orgulhoso de seu histórico, agora nos oferece a única coisa que sabe fazer: a venda do futuro. A justificativa oficial, aquele mantra ensaboado de “redução de custos”, é uma piada de mau gosto.

 

Como escancarou o Plural, o próprio governo já empenhou a bagatela de R$ 2,3 BILHÕES para bancar a “transição” e o processo de venda da estatal. Sim, você não leu errado. O mesmo governo que alega não ter dinheiro para manter uma empresa lucrativa e estratégica, afundou MAIS DO QUE O DOBRO do valor esperado pela venda (R$ 1 bi) apenas para se livrar dela.

 

É a mais pura genialidade da gestão à la Ratinho: para “economizar”, ele primeiro gasta uma fortuna incalculável. É como incendiar a própria casa para economizar com a conta de luz. A conta, no caso, somos nós que pagaremos por décadas. E o Brasil todo está assistindo.

 

Mas a plot thickens, como diriam os novos donos do pedaço. Enquanto o governador ensaia seu discurso de “modernidade” para vender a Celepar, o Ministério Público do Paraná resolveu fazer aquela coisinha chata chamada seu trabalho. Como revelou o Plural, abriu uma investigação preliminar para apurar um contrato milionário da própria Celepar – essa mesma que é “ineficiente” e precisa ser vendida às pressas – com o Google.

 

A ironia aqui é tão grotesca que chega a ser cômica: o governo quer nos convencer a vender a galinha dos ovos de ouro porque ela é improdutiva, mas, pasmem, ela é lucrativa o suficiente para fechar megacontratos com uma das maiores empresas do planeta.

 

O contrato em questão, para usar a nuvem do Google, vale milhões. Ou seja, a Celepar é estrategicamente vital e comercialmente atraente ao ponto de negociar de igual para igual com um gigante global. Precisamente por isso precisa ser a primeira a ser vendida a preço de banana para… quem mesmo? Será que para o próprio Google ou algum “parceiro” muito, mas muito amigável?

 

O que o governo realmente ganha? A farsa dos “custos” caiu. Sobra apenas la verdad:

  • O Troféu de Cobaia Nacional: Ratinho Jr. entra para a história não como um gestor, mas como o primeiro governante a abrir as porteiras da soberania digital de seu Estado. Um legado duvidoso que será estudado por gerações futuras como “o que não fazer”.
  • A Grande Boquinha: Os R$ 2,3 bilhões empenhados não são para “modernizar”. São um fundo de manejo para lubricar as engrenagens da privataria. É dinheiro para consultorias superfaturadas, para “estudos” de viabilidade que chegam à conclusão encomendada, e para bancar a farra dos amigos que vão se beneficiar do leilão. O mesmo script da COPEL e do Porto, só que com um preço de entrada mais salgado.
  • A Entrega Programada: A investigação do MP joga uma luz suspeita sobre o destino final: a venda da Celepar não é para o “mercado”, é para um interesse muito específico. É a velha política do “toma lá, dá cá” vestida com um terno caro de consultor e um contrato pré-assinado com Big Techs. O povo paga a conta e perde o patrimônio.

 

E o povo paranaense? Ah, o povo ganha o direito de ser a cobaia espoliada. Primeiro, como contribuintes que bancaram essa empresa por décadas. Segundo, como otários que bancaram a farra de R$ 2,3 bi para vendê-la. Terceiro, como as primeiras vítimas de um modelo de vulnerabilidade que, se “der certo” aqui, será exportado para todo o país.

 

Vamos ser claros sobre os riscos, já que o governo finge que não os enxerga:

  1. Seus dados são o produto. Você, paranaense, não é mais cidadão. É um conjunto de dados a ser minerado, empacotado e vendido. A investigação do MP mostra que a rota de fuga já está traçada: direto para os servidores de uma Big Tech. A privatização será apenas a legalização do crime.
  2. A soberania é um conceito abstrato para idiotas. Enquanto o governador posa para fotos com bandeirinhas, ele entrega a chave de tudo o que temos de mais valioso – nossa informação – a uma entidade estrangeira. Na próxima vez que um hacker ou um governo inimigo quiser derrubar o Paraná, não precisará de mísseis. Um comando via VPN resolve. Parabéns, viramos uma colônia digital.
  3. Vazamento? Processe-os em Luxemburgo. Quando – repito, QUANDO – os dados vazarem, como vazaram de Meta, Google e todas as gigantes “eficientes”, quem você vai cobrar? Você vai enviar um e-mail para “ouvidoria@celepar-sold-out.com.lu”?

 

Esta não é uma privatização. É um assalto ao erário e à soberania com investigação do MP em curso. É a rendição de um governo medíocre que, para beneficiar meia dúzia de comparsas, não hesita em torrar bilhões do povo para vender, a preço de banana, o que o povo levou décadas para construir, transformando o Paraná na cobaia triste de um Brasil que teima em não aprender com seus próprios erros.

 

Ratinho Jr. e sua trupe não estão vendendo uma empresa. Estão vendendo a dignidade e a segurança do Paraná e nos fazendo pagar a conta do coquetel de inauguração do novo dono. A única coisa que funciona nesse estado é a máquina de vender o que é nosso. E, pelo visto, o MP é um dos poucos tentando puxar o freio de mão desse caminhão desgovernado rumo ao abismo.

 

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