Um chocolate contra a escravidão infantil

Foto: Divulgação
Foto de Ediney Giordani

Ediney Giordani

Muitos falam sobre propósito da marca, mas vamos combinar: poucas marcas são de fato fieis a ele. Outro dia o Thiago Andrade comentava em nosso podcast sobre o Leite Ninho que não entrou na trend do Morango do Amor, porque o propósito da marca não “batia” com a loucura das redes.

Agora, tem uma história que mostra como combatividade, senso de responsabilidade e atitude podem andar ou até mesmo criar um propósito e uma marca.

O ano era 2003 e um jornalista foi até uma delegacia de polícia e pediu para ser preso: o motivo? Estava comendo uma barra de chocolate.

Teun van de Keuken fazia parte de um grupo de jornalistas que investigava o trabalho escravo em plantações de cacau na África. Como a lei européia tem leis “rígidas” (e olhos fechados) para empresas que compactuam com esse tipo de prática no mundo, o fato dele, ou qualquer pessoa, comer um chocolate com o cacau vindo dessas áreas, o faria conivente com o trabalho infantil e, na maioria das vezes escravo.

O fato em si já seria uma ótima oportunidade. Ele não foi preso, claro, mas trouxe luz sobre o fato. Era pouco. Por que não criar o próprio chocolate correto? Foi o que ele fez e assim nasceu a Tony’s Chocolonely.

A genialidade não para em trazer ao mercado uma barra 100% livre de trabalho infantil e escravo. Ela também ia para as prateleiras em tamanhos desiguais, mostrando que uns pegam pedaços gigantes do bolo, enquanto outros, os fazendeiros de cacau, ficam só com as migalhas. Era declaração!

Nascia, em 2005 o “Chocolate Sem Escravidão”

Na Holanda, Tony’s virou líder de mercado rapidinho e em 2015, aterrissou nos EUA e já está nas prateleiras de Whole Foods, Target e Walmart. Hoje, a marca é presença global, crescendo acima da média do setor.

E não parou por aí, afinal, propósito é propósito, até para ajudar a concorrência,
eles criaram um braço chamado Tony’s Open Chain, que permite outras marcas comprarem cacau rastreável e justo. Adivinha quem já entrou? Ben & Jerry’s, gigante dos sorvetes com propósito.

Manter-se fiel ao propósito é difícil, complicado, mas os números não mentem, o consumidor se engaja. Somente em 2023, a marca faturou US$ 162 milhões (+23% vs ano anterior) e crescimento constante.

A sua marca, marca? É fiel? A dica: o consumidor percebe, sempre!

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