Opinião: Alguém se importa de verdade com o patriotismo?

Foto de Ediney Giordani

Ediney Giordani

Quando Bolsonaro era presidente, saudou a bandeira americana e disse “amar” os EUA. Lula nunca escondeu de ninguém suas preferências ideológicas “vermelhas”. A direita, se aproveitou do verde e amarelo e, alegando um pretenso patriotismo foi às ruas. A esquerda, tentou dizer que a bandeira é de todos, não deu certo.

Agora, o mesmo povo que se apoio no pretenso nacionalismo, usa o boné vermelho do MAGA e pede que Trump salve o Brasil. Aferindo ao povo brasileiro uma incompetência em resolver seus próprios problemas que a própria frase “minha bandeira jamais será vermelha” perde qualquer sentido ser pelo simples fato dela ser totalmente vermelha, do Partido Republicano do EUA.

Uma cena patética chamou a atenção na semana passada, dois deputados, que representam como ninguém a pobreza da política, abriram no Congresso Nacional Brasileiro uma bandeira do TRUMP. Imagina algo assim acontecendo nos EUA. Você não consegue, porque isso é absolutamente impossível.

Talvez quando Nelson Rodrigues escreveu nosso complexo de vira-latas, referindo-se ao futebol, não tenha nem de perto imaginado que um dia no futuro brasileiros defenderiam taxas externas, interferência externa para o “bem do Brasil”.

E aqui não comece a viagem de que eu estou defendendo A ou B, vocês conhecem minha posição: na dúvida sobre quem é corrupto, Lula ou Bolsonaro, prendam os dois. Simples assim. Minha pergunta do início desse artigo é genuína:

  • Alguém se importa de verdade com o patriotismo?

Bolsonaro e seus asseclas, sabemos que não. Lula e sua turma, já mostrou outras vezes que não. Ambos mostram um patriotismo de ocasião. Do pior tipo, aquele “depende quem pergunta”.

Vi um podcast outro dia de um “dito” jornalista que afirmava que a liberdade era mais importante que o emprego, mesmo pro entregador do iFood. Será mesmo?

  • Pai, estou com fome!
  • Não se preocupe filho, somos livres!

Livres do quê e para quê?!

E as pessoas “comuns”? Se importam, de verdade, com o patriotismo? Quando o Brasil começar a perder emprego por conta das taxas, ainda serão patriotas. Quando, e se, o país bater na frente com a maior potência do mundo, e nossas exportações ficarem mais cara, ainda seremos patriotas?

O patriotismo brasileiro de verdade só existe em esportes e na música, isso se o esportista ou artista não forem antagônicos ao que as pessoas pensam. Ao contrário, nem isso.

A verdade, queridos leitores, é que todas as decisões que mexem com nossas vidas são tomadas por um monte de velhos sedentos de poder. Eles não estão interessados no SEU bem estar, mas sim, no bem estar dos SEUS aliados.

A liberdade de expressão é de fato inexorável a qualquer democracia. Sou a favor da punição por ato do que por antecipação, e nisso, Xandão erra a mão, feio.

Agora, vamos pensar de verdade?

Imaginando que tudo que o Trump reclamou da carta fosse verdade. O que, o poder executivo do Brasil poderia, oficialmente, fazer? Mandar um soldado e um cabo fechar o STF? São poderes independentes, ou deveriam. Então, o povo, vai ter que pagar pela decisão de ministros, o principal deles nem indicado por este governo?

Para quem esqueceu quem indicou quem:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (Lula): Indicou Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
  • Fernando Henrique Cardoso (FHC): Indicou Gilmar Mendes.
  • Dilma Rousseff: Indicou Luiz Fux, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.
  • Michel Temer: Indicou Alexandre de Moraes.
  • Jair Bolsonaro: Indicou Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Qualquer coisa diferente disso, é puro proselitismo.

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