Em nota oficial, O governador Beto Richa confirmou nesta quinta-feira (3), no Palácio Iguaçu, que o Estado atenderá o pedido do prefeito eleito de Curitiba, Rafael Greca, de retomar a parceria com a prefeitura da capital para a reintegração do transporte coletivo com a região metropolitana. “Agora, havendo o interesse da prefeitura, o Estado é parceiro para reintegrar o sistema”, afirmou o governador, que recebeu Rafael Greca, o vice-prefeito eleito, Eduardo Pimentel, e a equipe de transição. O presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Omar Akel, também participou do encontro.
Mesmo com o pagamento de subsídio, a Prefeitura de Curitiba, em janeiro de 2015, solicitou, através de ofício, a desintegração do sistema de transporte metropolitano. Um grupo de trabalho será criado para definir questões técnicas sobre a reintegração. A previsão é que em seis meses todas outras linhas metropolitanas que fazem conexão com Curitiba sejam reintegradas.
SUBSÍDIO – O repasse de subsídio ao sistema de transporte coletivo iniciou em maio de 2012, quando a Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), firmou um convênio com a Prefeitura de Curitiba para garantir a integração do transporte coletivo da região metropolitana. O convênio foi renovado em 2013 e 2014. Neste período, o Estado destinou R$ 193 milhões ao Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), que fazia os repasses às empresas.
Em 2015, em função da não renovação do convênio, somado à decisão da Prefeitura de Curitiba de anunciar a nova tarifa somente para a capital, desintegrando assim a rede integrada de transporte, o governo tomou medidas de readequação da rede metropolitana e buscou a manutenção da integração físico-operacional e mantendo um subsídio mensal.
Atualmente, são destinados R$ 5 milhões por mês para garantir a integração com 13 municípios da região metropolitana: Almirante Tamandaré, Araucária, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Contenda, Fazenda Rio Grande, Itaperuçu, Rio Branco do Sul, São José dos Pinhais, Pinhais e Piraquara. Isso permite que os passageiros que se deslocam dos municípios vizinhos até a capital, e vice-versa, paguem apenas uma passagem.
Além disso, desde 2013, o Governo do Estado isenta as empresas de ônibus da região de pagar o ICMS sobre o óleo diesel, o que possibilita a desoneração dos custos e a redução do valor da passagem. De 2013 até agora, a isenção chegou a R$ 51,9 milhões para as empresas em Curitiba.
Gustavo Fruet desabafa via Facebook
Em nota disparada via Facebook, o prefeito Gustavo Fruet resolveu contar a sua versão da história toda. Confira!
A verdade demorou, mas veio à tona. Agora a cidade pode entender porque o Governo do Estado atrasou sistematicamente o repasse de recursos para a Saúde, para a compra de remédios. Porque o Governo do Estado interrompeu todos os projetos para pavimentação. Porque o Governo do Estado, nessa gestão, não liberou um financiamento novo solicitado a partir de 2013. Porque o Governo do Estado não paga e não pagou a dívida da Copa do Mundo. Curitiba foi a única sede de Copa que cumpriu com todas as suas obrigações e financiou dinheiro que era para ser transferido pelo Governo do Estado.
E a população agora sabe a atitude tomada pelo governador, numa demonstração de abuso de poder, num ato deliberado, que a pretexto de provocar um resultado eleitoral, prejudicou milhares de moradores de Curitiba e da Região Metropolitana.
Eu não sei que nome pode ser dado a isso, mas é a vitória da dissimulação, é a vitória do cinismo, é a vitória da esperteza, é uma demonstração de imaturidade para o exercício democrático e não sei se há precedentes na história do Paraná de uma atitude de tamanha perseguição e vingança de um governo com relação à capital e à Região Metropolitana.
É profundamente lamentável que esse subsídio tenha sido retirado e Curitiba mesmo assim bancou e mantém uma tarifa integrada mais baixa que qualquer município da Região Metropolitana, que não tem licitação, não tem fiscalização e não tem a qualidade do serviço da capital. Felizmente a verdade veio à tona. Eu lamento que só agora e infelizmente é uma demonstração da falta de compromisso com a população.
Se o governador tivesse deixado para anunciar a volta do subsídio ano que vem não teria o impacto que teve agora. Ele esperou o resultado do segundo turno para no dia seguinte fazer esse anúncio.
O editorial da Gazeta do Povo eu acho que hoje demonstra o que representou essa atitude. Para que não haja dúvida de interpretação nós vamos tornar público todas as mensagens feitas entre a Urbs e a Comec, deixando muito claro que em momento algum o Governo aceitou repassar recursos superiores a R$ 2,5 milhões, em momento algum o Governo aceitou fazer um convênio superior a dois meses e meio e em momento algum o Governo aceitou que houvesse um equilíbrio nessa conta entre a Urbs e o Governo do Estado. Na verdade, queriam e querem que Curitiba seja uma tesouraria, um departamento financeiro para utilizar quando for conveniente.