Sem proposta e presença de Richa, agentes penitenciários prometem manter acampamento

agentesOs agentes penitenciários do Paraná continuam acampados em frente ao Palácio do Governo do Paraná, no bairro Centro Cívico, em Curitiba, na tarde desta quarta-feira (4). Esse é o segundo dia em que os trabalhadores estão abrigados em barracas, como forma de reivindicar melhores condições de trabalho e manifestar indignação por promessas não cumpridas.

O vice-presidente do sindicato da categoria, Antoni Johnson garantiu que os manifestantes só vão sair da praça quando forem recebidos pelo governador Beto Richa (PSDB). “Nós não temos data e nem hora para sair daqui. A possibilidade de greve não está descartada. Ninguém aqui desiste fácil”, disse em entrevista à Banda B.

Segundo ele, nos dois dias de protesto, cerca de 800 agentes, vindos de todo o estado, passaram pelo acampamento. “Hoje nós fizemos passeatas e distribuímos panfletos. Não é fácil ficar longe de casa, mas nós precisamos lutar por mudanças”, completou o vice-presidente.

O grupo reclama que o governo estadual não concedeu os benefícios que havia prometido em março deste ano, quando três agentes foram assassinados. Entre as propostas está o reajuste de 23% na gratificação e a concessão de porte de arma.

Os agentes devem se reunir em assembleia geral na próxima terça-feira (10). De acordo com Johnson, o governo afirmou que vai apresentar uma proposta aos trabalhadores em 15 dias. “Nós não vamos sair até falar com o governador”, concluiu.

Resposta

Em nota, a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná (Seju), deu esclarecimentos às quatro reivindicações apresentadas, nesta terça-feira (03), pelo Sindarspen.

Em relação ao porte de arma, Governo do Paraná afirmou não pode autorizar aos agentes penitenciários por falta de amparo legal, tendo-se em vista que a Presidente da República vetou o porte de arma para diversos profissionais, entre eles os agentes penitenciários, conforme Diário Oficial da União do dia 10/01/2013, e o Tribunal de Justiça do Paraná considerou inconstitucional a Lei Estadual que autorizava o porte de arma pelos agentes penitenciários, conforme Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 963.060-4 de 01/04/2013.

Em relação ao concurso público, a Seju informou que está em andamento, desde o início deste ano, um concurso público para a contratação de 423 agentes penitenciários, que teve a inscrição de mais de 33 mil pessoas, o que demonstra o grande interesse da população que pretende ingressar no serviço público, com nível de 2º grau. A 6ª e última etapa desse concurso público, referente à avaliação médica, está prevista para os meses de dezembro e janeiro próximos. Cabe salientar que atualmente são 3.496 agentes penitenciários e 142 agentes de monitoramento, somando 3.639 agentes trabalhando em 31 estabelecimentos penitenciários, custodiando 18.072 presos no Estado, o que representa 4,9 presos para cada agente, índice compatível com a orientação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, do Ministério da Justiça, que recomenda a contratação de um agente para cada 5 presos.

Sobre o reajuste salarial, o Governo disse que, além do problema de limite prudencial de gastos do Estado referentes ao funcionalismo público, cabe destacar que o Paraná tem hoje o 3º maior salário de agente penitenciário do País. Isso porque o atual Governo do Paraná concedeu aumento de nominal para essa categoria de 41,88%. No início desta gestão, em 2011, a remuneração total do agente penitenciário era de R$ 2.678,18. Atualmente a remuneração inicial é de R$ 3.800,03 (http://www.portaldoservidor.pr.gov.br/arquivos/File/2013/TabelaSalariais2013.pdf). E isso para uma jornada de trabalho de 24 horas de serviço por 48 de descanso, seguidas de 12 horas de trabalho por 60 horas de descanso e mais uma folga mensal de 24 horas como compensação, o que representa no máximo nove dias úteis de trabalho por mês.

Para concluir, a questão da aposentadoria especial. Segundo a Seju, hoje, um agente penitenciário do Paraná pode se aposentar com uma remuneração que chega a R$ 10.434,00, mesmo mantendo apenas o 2º grau de formação. Este valor, que será levado para a aposentadoria, vem sendo pago hoje a agentes penitenciários em exercício funcional, o que pode ser comprovado em: www.portaldatransparencia.pr.gov.br.

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Fonte: Banda B

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