O movimento dos bares de Curitiba teve uma queda média de 30% desde janeiro deste ano. O afastamento da clientela tem vários fatores, sendo o principal o maior rigor da chamada Lei Seca. Com mais receio de cair em uma blitz, que se multiplicaram em Curitiba, os consumidores que costumavam frequentar bares e depois dirigir, aos poucos vão se afastando dos locais mais conhecidos da noite curitibana.
O recuo no número de clientes já repercutiu no fechamento de postos de trabalho no setor, que emprega 75 mil pessoas no Paraná. “Pelo menos 10% deste total já perdeu emprego”, estima Fábio Aguayo, presidente da Associação dos Restaurantes, Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar). Em algumas casas ouvidas pela reportagem, o corte de pessoal quase chegou ao mesmo patamar registrado na queda de movimento.
A queixa principal dos donos de bares e restaurantes, ao contrário do esperado, não é contra a lei, mas sim contra a falta de estrutura alternativa de locomoção na cidade. Aguayo reclama da falta de táxis em Curitiba. “Disseram que irão entrar no mercado de Curitiba mais 700 carros, mas ainda assim é pouco”, argumenta. Com a licitação, em andamento, a frota atual de 2.252 carros passará para 3.002 táxis.
Para Aguayo, a atual proporção de um táxi para cada 776 habitantes em Curitiba é insuficiente. “O casal que sai para jantar chama um táxi na sexta-feira à noite, geralmente acaba brigando por causa da espera de quase uma hora para o carro chegar”, comenta. “E isso não é piada não, é o que tenho ouvido e muito de donos de bares”, ressalta.
O poder público não dá a sua contrapartida para um dos setores que mais emprega no Estado, avança Aguayo. “Não temos nenhuma alternativa de leva e traz para os nossos clientes ou que favoreça a população a sair de casa para se divertir”, argumenta. Aguayo cita ainda, como medida de contenção de gastos, mudanças no horário de funcionamento das casas. “Se antes os bares abriam nos sete dias da semana, agora estão abrindo apenas em seis ou cinco dias por semana”, relata.
De acordo com a proposta aprovada pela Câmara Municipal de Curitiba e já sancionada pela Prefeitura, o limite de autorizações para o serviço de transporte público de táxi determina a existência de no mínimo um táxi para cada 700 habitantes e no máximo de um táxi para cada 500 habitantes.
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Fonte: Bem Paraná / foto: Franklin de Freitas