Caso Tayná: Policiais afastados e corregedoria no caso

taynaA cúpula da Polícia Civil anunciou que  estão afastados temporariamente de suas funções o delegado Agenor Salgado Filho, e o delegado Silvan Rodney Pereira. Ambos estão envolvidos no caso Tayná e sofrem com denúncias de tortura dos acusados de matar a adolescente. O novo responsável pelas investigações é o delegado Jairo Estorillo que estava no 1º Distrito. A delegacia do Alto Maracanã, que era comandada por Pereira, terá como titular o delegado Erineu Sebastião Portes, que acumulará a função com a Delegacia do centro de Colombo.

Polícia Federal no Caso

A OAB-PR  (Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná) vai pedir que a Justiça Federal assuma as investigações o caso da menina Tayná, segundo o presidente da entidade, Juliano Breda, esse é um fato inédito na história da relação da Polícia e suas investigações com o Paraná: “É um pedido natural, não se trata de suspeita de uma possível omissão de autoridades paranaenses”, disse Breda. O pedido será feito à Procuradoria Geral da República e quem julga se será acatado ou não é o Superior Tribunal de Justiça.

Agressões
Segundo membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB, que tiveram uma dificuldade incomum para ter acesso aos acusados, três dos quatro suspeitos de terem estuprado e assassinado Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, foram agredidos e obrigados a confessar o crime.Isabel Kugler Mendes, integrante da Coordenação Internacional de Direitos Humanos da OAB e representante da OAB-PR no Conselho Estadual de Direitos Humanos, afirmou em entrevista ao portal UOL que os suspeitos afirmam terem sido torturados desde o momento em que foram convidados a ir à delegacia de Colombo.

Como o inquérito encaminhado pela autoridade policial ao Ministério Público não continha nenhuma informação sobre suposta tortura a que teriam sido submetidos os quatro rapazes presos como suspeitos de matar Tayná, novo procedimento investigatório foi aberto para apurar essa questão e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foram especialmente designados pela Procuradoria-Geral de Justiça para atuar, em conjunto com a Promotoria de Justiça de Colombo, na investigação. Os promotores de Justiça estiveram na tarde desta quinta-feira (11), na Casa de Custódia, para contato pessoal com os presos e para a apreensão das roupas que teriam sido usadas por eles no dia da suposta tortura. O MP-PR encaminhará, ainda, os rapazes para novo exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, que será acompanhado pelos promotores de Justiça designados.

Inocentes?

O advogado dos suspeitos, Roberto Rolim de Moura Júnior, afirmou que os quatro presos disseram que não são culpados do crime e que declararam a culpa porque foram agredidos por policiais, guarda municipais e até mesmo por outros presos. Isabel, Roberto e outro representante da OAB visitaram nesta quarta-feira à tarde três dos suspeitos presos. O quarto não estava lá porque teria sido mandado ao Complexo Médico Penal, pois estaria evacuando sangue com suspeita de perfuração intertinal.

“Em outro (preso) com quem conversamos, chega-se a ver, nas mãos, os ossos, por conta das feridas. E ele está surdo, possivelmente com o tímpano rompido”, disse Isabel.

Corregedoria no Caso

A Secretaria de Segurança – Por determinação do secretário da Segurança Pública, Cid Vasques, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil imediatamente designou um delegado para apurar possíveis violências que tenham sido cometidas por policiais contra os quatro homens apontados como suspeitos de envolvimento na morte da menina Tayná. Desta forma, será aberto um procedimento administrativo dentro da Corregedoria que, a princípio, tem duração de 30 dias, podendo ter o prazo prorrogado. Caso haja comprovação de irregularidades durante a apuração do caso, os policiais podem responder administrativa e criminalmente, inclusive com a perda do cargo.

Também por determinação do secretário Cid Vasques, o delegado Guilherme Rangel foi designado para assumir as investigações do caso Tayná. O caso também será acompanhado pelo assessor civil da Sesp, Rafael Vianna.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná confirmou na terça-feira (9) que o sêmen encontrado no corpo da garota Tayná Adriane da Silva não é de nenhum dos quatro acusados que estão presos. No mesmo dia, o secretário de Segurança Pública, Cid Vasques, determinou mudanças nas investigações do caso. A Corregedoria da Polícia Civil deverá apurar se houve irregularidade, falha, omissão ou distorção na condução do inquérito e um outro delegado foi designado para dar prosseguimento às investigações.

Redação com informações do Bem Paraná e do Portal UOL

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