A Polícia Civil de Rondônia deflagrou essa semana uma operação para apurar crimes relacionados ao financiamento, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, envolvendo empresários e políticos locais. Batizada de Apocalipse, a operação, iniciada em dezembro de 2011, investigou 27 empresas e 98 pessoas, entre elas cinco vereadores e cinco deputados estaduais. A organização criminosa atuava em Rondônia, mas tinha ramificações em seis estados – Acre, Amazonas, Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Paraná – e no Distrito Federal. De acordo com a investigação, só em Rondônia, a quadrilha acumulou patrimônio de R$ 33,5 milhões, que incluía 200 veículos (R$ 7,5 milhões), 25 imóveis (R$ 22,5 milhões) e cotas de empresas no valor de R$ 3,5 milhões.
“A quadrilha passou a também buscar o poder político, por meio do financiamento de campanhas de pretensos candidatos a cargos eletivos, com o compromisso de que, uma vez eleitos, tais políticos nomeassem pessoas indicadas pela organização para serem laranjas e até mesmo para trabalhar nos gabinetes”, disse o secretário. Segundo ele, a quadrilha tinha ainda demandas referentes à atividade parlamentar.
Conforme as investigações, vereadores, empresários e funcionários públicos estão envolvidos com o esquema. A participação de vereadores e deputados estaduais nos crimes investigados fez com que a Justiça determinasse a suspensão da função parlamentar por 15 dias, prorrogáveis por mais 15, para não prejudicar o andamento das apurações.
“Ela [a quadrilha] tinha uma veia política, estendida basicamente no âmbito do Poder Legislativo Municipal e Estadual. Temos cinco deputados sendo investigados, entre eles, o presidente da Assembleia. A Justiça decretou o afastamento deles. Cinco vereadores estão sendo investigados, e três deles foram presos hoje. Então, temos parlamentares municipais e estaduais”, ressaltou Bessa.
Operação Apocalipse
Bessa informou que, com a Operação Apocalipse, foram determinadas 64 prisões e 229 medidas cautelares, entre mandados de busca, apreensão e prisão, além de indisponibilidade de bens em nove estados.
O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Hermínio Coelho (PSD), afastado do cargo por ordem judicial, é investigado por crime de peculato. Ele é acusado de nomear para cargos comissionados na Assembleia pessoas indicadas pela quadrilha. Os deputados Ana da 8 (PTdoB), Adriano Boiadeiro (PRP), Cláudio Carvalho (PT) e Jean Oliveira (PSDB), vice-presidente da Casa, foram proibidos de entrar na Assembleia e tiveram decretada a indisponibilidade de seus bens dos parlamentares, além de busca e apreensão em seus domicílios e gabinetes e no Departamento Financeiro e de Recursos Humanos da Casa. De manhã, foram apreendidos documentos e computadores que serão periciados.
Roberto Rivelino Guedes, filho do presidente afastado da Assembleia, investigado por formação de quadrilha e estelionato, também teve prisão preventiva decretada. Na casa dele, foram encontradas notas fiscais de postos de gasolina e documentos bancários. Foram presos os vereadores Marcelo Reis (PV) e Jair Montes (PTC) . Hoje foi cumprida uma etapa mais “ostensiva” da operação, que era executar os mandados de prisão e coletar mais provas, como documentos e equipamentos. “Eles serão analisados e daí poderão surgir novos fatos, novos ramos de operação do grupo e, inclusive, novos membros. A operação só tem começo – o fim vai de acordo com as provas que são colhidas e que vão orientar a gente”, explicou Bessa.
Com informações da EBC
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