Quando se fala em problema dental, o que costuma vir à mente são as cáries, tratamentos endodônticos ou ortodontia. No entanto, existem ainda as lesões não cariosas, que vêm se tornando cada vez mais um fator a ser considerado quando o assunto é saúde bucal em longo prazo.
Elas são causadas por fatores biológicos e comportamentais diversos, como escovação inadequada (associação de cremes dentais abrasivos, escovas com cerdas médias ou duras e força excessiva), hábitos alimentares (consumo habitual de alimentos ácidos), refluxo gástrico, diminuição da salivação (por baixa hidratação – eventualmente associada à prática de exercícios físicos, envelhecimento ou em virtude de medicamentos), atrição (bruxismo) e abfração (pressão exacerbada causada pela mordida que, quando associada a outros fatores, resulta em lesões na porção cervical do dente).
As lesões não cariosas mais comuns são as da região cervical (localizada perto da gengiva) em dentes pré-molares do maxilar superior e as de oclusão (na região dos molares e incisivos). Segundo o dentista curitibano Danilo Biazzetto de Menezes Caldas, mestre pela Indiana University School of Dentistry e doutor pela Unicamp, dependendo da idade, a prevalência destas lesões pode chegar a até 82% dos indivíduos. A maior parte dos casos está relacionada à alimentação ácida. E, com o passar da idade, essas lesões se tornam ainda mais comuns.
Já entre os 20 e 30 anos de idade, curiosamente em pessoas que buscam um estilo de vida saudável, a causa costuma ser a combinação de exercícios físicos com a falta de correta hidratação. “De um modo geral, os esportistas comem frutas ácidas, vão para a academia e perdem muito líquido com os exercícios, o que pode levar a uma desidratação temporária. Nesse caso, o problema da lesão não cariosa está associado à diminuição da salivação, que além de proteção química tem ainda papel na limpeza por ação mecânica dos dentes. E quando se hidratam costumam tomar isotônicos e sucos, o que também pode levar à perda dos minerais dentários”, observa o Dr. Danilo.
Depois de constatada a lesão, nem sempre é recomendado restaurar o dente. A restauração geralmente é feita apenas em casos de fratura, sensibilidade ou comprometimento estético. Assim sendo, o mais importante é a mudança de hábitos para prevenir o avanço da condição.
O dentista curitibano realiza anamnese com seus pacientes, onde levanta detalhes sobre a alimentação (por meio de diário alimentar), a ingestão de remédios que diminuam o fluxo salivar, e hábitos de higiene bucal.
Prevenção
De um modo geral, o ideal é tomar muita água. E caso haja consumo de suco à base de fruta cítrica ou de refrigerantes, deve-se beber água ou leite logo em seguida. Quanto à escovação, deve-se esperar pelo menos 40 minutos após o consumo da bebida ou do alimento ácido para fazê-lo. Caso contrário, pode ocorrer um processo de aceleração da desmineralização dos dentes, pela associação da ação erosiva do ácido com a abrasão causada pelas partículas duras presentes nos cremes dentais.
Pensando nisso alguns fabricantes de suco em países como os EUA estão fazendo experiências com adição de cálcio nos sucos cítricos para reduzir os índices de lesões não cariosas por acidez em suas bebidas. No entanto, em alguns casos apenas o profissional é quem sabe como indicar a correta maneira para se conseguir o equilíbrio, químico e mecânico, do fluxo salivar.
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Fonte: Assessoria de Imprensa Gustavo Zielonka