Os shoppings que se preparem, porque vai faltar cinema no país. Em julho, deve começar a distribuição dos cartões de Vale-Cultura de R$ 50 a trabalhadores da iniciativa privada. A lei de criação do vale foi sancionada em março pela presidente Dilma Rousseff e, após a regulamentação, deverá entrar em vigor.
O benefício é para os trabalhadores que ganham até 5 salários mínimos (equivalente a R$ 3.390). O vale terá que ser gasto exclusivamente em cultura em despesas como cinema, teatro, livros e espetáculos circenses. Com esse dinheiro na mão de 17 milhões de trabalhadores, o governo estima que o consumo cultural no país cresça cerca de R$ 7,2 bilhões ao ano.
A rede de cinemas Cinesystem, que é paranaense, está otimista com a distribuição do vale. O grupo, inaugurado em 2001, tem 14 cines multiplex em 10 cidades e planeja expandir. Em Curitiba, tem as salas de cinemas dos shopping Cidade, Total e Curitiba. Para o sócio-proprietário Eduardo Vaz, certamente haverá aumento do número de freqüentadores, mas como trata-se de um produto novo, o comportamento do consumidor ainda é uma incógnita. “A expectativa é bastante positiva, principalmente em razão do custo dos cinemas comparado a outras opções de lazer. Com as promoções, o trabalhador poderá levar a família toda ao cinema, mas é preciso aguardar a entrada em vigor para ver como o vale-cultura será utilizado”, diz o empresário em entrevista ao Sindishopping.
O especialista em marketing de varejo, Luiz Alberto Marinho, calculou o impacto que o vale-cultura deve provocar nos cinemas (a maioria absoluta em shoppings) em todo o país. “Supondo que apenas 20% do total do vale seja direcionado para ingressos de cinema (o valor médio do ingresso no Brasil é de R$ 10), isso significa um volume de R$ 1,440 bilhão a ser gasto anualmente em cinema. Como o faturamento total das salas de exibição no Brasil é exatamente R$ 1,4 bilhão, a matemática é fácil: o negócio das exibidoras deve simplesmente dobrar de tamanho”, prevê Marinho, e completa. “Por tudo isso, podemos testemunhar uma nova onda de expansão das salas de cinema, o que no fundo é uma ótima notícia para os shopping centers, que abrigam uma importante parcela desses empreendimentos”, conclui.
Como vai funcionar
Pela lei, terão direito ao vale-cultura trabalhadores de empresas privadas que tenham carteira assinada e recebam até cinco salários mínimos por mês. O programa depende da adesão das empresas. Os vales são uma espécie de incentivo fiscal. A cada R$ 50 repassados aos empregados, as empresas poderão deduzir R$ 45 no imposto de renda. Os R$ 5 restantes deverão ser descontados dos empregados.
Se quiserem, as empresas podem bancar também a parte dos empregados como algumas companhias já fazem com o vale-refeição “O Lula deu o Bolsa Família. A Dilma está dando alimento para alma”, disse a ministra da Cultura, Marta Suplicy.
O vale-cultura deverá ser distribuído todo mês e será cumulativo. Os empregados poderão poupar os recursos para fazer compras de valores mais elevados quando considerarem necessário.
Os vales poderão ser usados para a compra de livros ou de ingressos de teatro, cinema ou de qualquer outro espetáculo cultural. Para a ministra, o programa é importante porque permite ao dono do tíquete escolher o bem cultural que quiser, tanto faz se quer um livro qualquer ou uma super produção teatral
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Fonte: Sindishopping/Curitiba